Category Archives: Estudos

Gravidez pode ter efeito rejuvenescedor para as mães

A gravidez pode ter um “efeito rejuvenescedor”, agindo como uma espécie de soro da juventude sobre as mães, segundo uma pesquisa da Universidade Hebraica de Jerusalém publicada pela revista “Fertility and Sterility”.

O estudo levou em consideração os resultados de exames de ressonância magnética de partes de fígados transplantados para camundongos grávidas e não grávidas. O levantamento permitiu observar que camundongos jovens recuperaram 82% do tecido do fígado em dois dias, enquanto ratos mais velhos só regeneraram 46% no mesmo tempo.

No entanto, a gravidez mudou radicalmente esse quadro com animais mais velhos. Estes tiveram uma recuperação de 96% do tecido do fígado em dois dias, mais de duas vezes a taxa normal.

Como a gravidez é um modelo biológico único de um sistema sanguíneo parcialmente compartilhado, especula-se que ela teria um efeito rejuvenescedor sobre a mãe.

Pesquisas feitas anteriormente pela mesma equipe indicaram que a gravidez pode ajudar na reparação de músculos, com este efeito se estendendo por cerca de dois meses depois que o bebê nasce.

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Deficiência de Ferro na Gravidez e consumo de substâncias estranhas

Você tem desejos de comer coisas estranhas na sua gravidez?

Pois para quem não ainda sabe, a Picamalácia é uma desordem alimentar caracterizada pela ingestão persistente de substâncias inadequadas com pequeno ou nenhum valor nutritivo, ou de substâncias comestíveis, mas não na sua forma habitual. Substâncias não alimentares podem ser ingeridas como: palitos de fósforos queimados, cabelo, pedra e cascalho, carvão, fuligem, dentre outras.

A prática da picamalácia não está limitada a uma área geográfica, raça, crença religiosa, cultura ou sexo, contudo, é comumente relatada especialmente em mulheres na gestação.

Um estudo realizado com 158 adolescentes grávidas examinou os valores séricos de hemoglobina, transferrina, ferritina, ferro e hepcidina durante a gestação (18,5 – 37,3 semanas) e no momento do parto. Dentre as adolescentes, 46% relataram ingerir: gelo (37%), amido (8%) e pó (poeira, talco e poeira coletada no aspirador de pó (4%), e de sabão (3%)).

Durante a gravidez o valor de transferrina sérica médio foi de 13,6 mg / L, ferro sérico de 2,5 ± 4,2 mg / Kg e a hepcidina: 19,1 ug / L, sendo que as concentrações foram significativamente menores no grupo que apresentou picamalácia. Mais estudos são necessários para descobrir a etiologia da picamalácia e sua associação com o baixo nível de ferro sérico além do prejuízo que tais práticas podem acarretar para saúde. Evidências asseguram que a suplementação de ferro, e consequentemente, a correção dos níveis carenciais associam-se ao desaparecimento deste estranho comportamento alimentar.
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Experiências antes da gravidez influenciam tanto na gestação quanto em comportamento e saúde dos filhos

Uma série de estudos independentes publicados recentemente na conceituada revista Science, demonstra que os filhos não são apenas a soma do genoma dos pais, mas na realidade, a receita do comportamento biológico e mental de uma criança inclui ingredientes que não podem apenas ser rastreados em exames de DNA, pois as experiências que os genitores tiveram antes mesmo da concepção, além de programar a trajetória de desenvolvimento do embrião e do feto, afetam fisicamente a saúde e o comportamento da criança ao longo da vida.

A pesquisadora Sarah Robertson, da Universidade de Adelaide, na Austrália, descreve, em um artigo de revisão, que óvulos e espermatozoides transferem o material genético dos pais e também deixam um legado de informações adicionais que reflete as exposições e as experiências vividas por eles. Nos últimos estágios dos gametas, existe um processo, chamado impressão genômica, que basicamente consiste na regulação de determinados grupos de genes que moldam a personalidade do bebê.

Em outras palavras, a impressão genômica funciona como um arquivo relevante da história dos pais que influencia o desenvolvimento da mente e do corpo do filho. Os fluídos que cercam o embrião, por exemplo, funcionam como um microcosmo que reflete o mundo exterior. Portanto, características nutricionais, metabólicas e inflamatórias da mãe têm capacidade de gerar uma trajetória de desenvolvimento embrionário adaptada ao ambiente externo.

Apesar de boa, essa estratégia nem sempre é garantia de sobrevivência. Um dos casos que ilustra a situação é o do bebê cuja mãe consumia pouca proteína durante a concepção. Além de ser muito ansioso, ele tende a ter pressão alta e a ganhar peso rapidamente.
“Se o fenótipo resultante for uma combinação pobre para as condições após o nascimento ou se a adaptação não for eficiente para suportar os desafios posteriores, os descendentes estão em risco”, diz Robertson.


Atualmente, o interesse nas contribuições epigenéticas entre gerações é grande. Estudos epidemiológicos em humanos encontraram relações inesperadas, como o fato de a disponibilidade de alimentos do avô esta associada à mortalidade dos netos, e o de o tabagismo paterno desencadear a obesidade principalmente entre meninos. Em ratos, estudos mostraram que desequilíbrios nutricionais dos pais aumentam as chances de os filhotes fêmeas sofrerem com a saúde metabólica desregulada.

Há ainda evidências de que experiências de vida mais subjetivas possam moldar o comportamento dos ratinhos. Machos condicionados para responder a um odor específico que estimulava o medo tiveram crias que herdam a mesma reação ao cheiro. Efeitos similares foram observados em filhotes cujos pais passaram pelo estresse da separação materna quando jovens.
“Esses estudos intrigantes elevam a perspectiva de que existem especificidades na transmissão de características adquiridas ao longo da vida. Até o momento, nenhum mecanismo biológico plausível surgiu para explicar isso”, reforça Robertson.

“Em última análise, uma vez que as vias forem definidas e priorizadas de acordo com a importância para a saúde, será possível definir como os futuros pais poderão atenuar as suas escolhas de estilo de vida e adotar intervenções para proteger as crianças dos efeitos adversos”. A ciência já provou que doenças que parecem apenas comportamentais, como a depressão, também podem ser herdadas (inclusive geneticamente). Nesse sentido, a depressão pós-parto tem papel fundamental: os primeiros sintomas aparecem durante a gestação e influenciam o aparecimento da enfermidade no filho.


A série de artigos publicada na Science também discute o comportamento dos pais em relação aos filhos. Uma grande variedade de atitudes tem sido descrita em animais de vários gêneros e espécies levantando questões fascinantes sobre como eles, incluindo os humanos, identificam suas crias e como os circuitos cerebrais conduzem e moldam essas condutas entre machos e fêmeas. Um dos pontos centrais é o comportamento agressivo de pais mamíferos em relação aos filhotes.

A violência é comum entre ratos machos, especialmente os virgens. As fêmeas que nunca tiveram filhotes chegam até a assassinar recém-nascidos. O engraçado é que esses comportamentos mudam quando esses animais se tornam pais. A partir disso, passam a cuidar de todos os filhotes, independentemente do gênero.

Catherine Dulac, pesquisadora da Universidade de Harvard (EUA), especula que circuitos neurais existentes em todas as espécies regulam as interações dos pais com seus descendentes. Notavelmente, o comportamento natural dos adultos com as crianças emerge quando alguns sistemas neurais são desligados e outro ligados. No caso dos ratos, esse sistema é a área tegmental ventral (VTA), um dos principais mecanismos envolvidos na respostas de recompensa e aprendizagem.
“Estudos futuros devem explorar a diversidade natural dos sistemas parentais para obter insights sobre as engrenagens que regulam o comportamento dos pais em contextos fisiológica e ecologicamente relevantes. Esses resultados podem lançar uma nova luz sobre a complexidade do comportamento parental humano e a relação dele para a doença mental”, acredita Dulac.
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Café durante a gravidez pode aumentar chances de leucemia no bebê

Mulheres que consomem café durante a gravidez podem prejudicar os seus bebês. Pelo menos foi o que indicou um estudo divulgado recentemente pelo jornal inglês "Daily Mail", que diz de que as crianças nascidas de mães que tomaram dois copos da bebida por dia na gestação têm mais de 60% de chances de desenvolver leucemia na infância.

Segundo a pesquisa, a cafeína altera o DNA dos embriões e os torna mais vulneráveis a desenvolver tumores. Estudiosos afirmaram que as autoridades devem alertar as gestantes sobre o consumo de café, assim como são aconselhadas a cortar o fumo e o álcool.

O professor de Efeitos da Radiação da Universidade de Bristol, Denis Henshaw, informou que não considera que as gestantes devam parar de tomar a bebida, mas devem reduzir o consumo.
"As gestantes podem beber menos de dois copos por dia, ou talvez até ocasionalmente. Os estudos confirmam que há risco de 60% da criança desenvolver leucemia quando o consumo é superior a isso. A incidência da doença aumentou muito nas últimas décadas", disse o professor.
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Náuseas e vômito na gravidez fazem bem ao feto

Náuseas matinas e vômito, problemas comuns durante a gravidez, podem ter um lado positivo!

Se por um lado se tornam insuportáveis para as mulheres, por outro podem fazer bem às crianças. Os sintomas estão relacionados com um desenvolvimento mais saudável do feto, menos exposto a má formação, problemas de crescimento e um baixo risco de aborto.

O resultado foi obtido através de uma pesquisa realizada em cinco países com 850 mil grávidas, conduzida pelo Hospital for Sick Children, da Universidade de Toronto, no Canadá, e publicada pela revista Reproductive Toxicology.
"85% das mulheres sofrem com distúrbios matutinos, com sintomas de médio a grave. Descobrimos que o risco de aborto é três vezes maior nas mulheres que não têm náuseas e vômitos. Em particular, observamos que as mulheres com mais de 35 anos de idade, as mais expostas ao aborto, parecem ter mais benefícios quando sofrem desses males matutinos", explicam os pesquisadores.


Náusea e vômito reduzem o risco de pouco peso e tamanho do bebê no nascimento. O risco de problemas de nascimento é reduzido em 30%.
"Tomar remédios anti-náusea não parece prejudicar o efeito protetor dos distúrbios nos fetos", afirmou ao jornal Wall Street Journal Gideon Koren, do Hospital for Sick Children e autor principal do relatório.
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Como a paternidade muda o cérebro de um homem

A paternidade pode mudar a vida de um homem. Mas você sabia que ela também muda seu cérebro?

Especialistas acreditam que isso acontece para equipar pais com o mesmo “sentido do bebê” que é muitas vezes atribuído às mães.

Do ponto de vista do reino animal, pais humanos são incomuns. Pertencem a um grupo de menos de 6% de espécies de mamíferos nas quais os pais desempenham um papel significativo na criação da prole. Nestas espécies, o cuidado paternal muitas vezes envolve os mesmos comportamentos do maternal, com a exceção da enfermagem.

Mas como é que a paternidade muda o cérebro de um homem?

A ciência só recentemente investigou os mecanismos neurais e hormonais do cuidado paternal, mas até agora as evidências sugerem que os cérebros das mães e pais usam um circuito neural semelhante ao cuidar de seus filhos. Mães e pais também passam por mudanças hormonais semelhantes ligadas ao seu cérebro.

O cérebro dos papais muda das seguintes formas:

1) O cérebro do pai fica parecido com o da mãe

Cuidar de uma criança remodela o cérebro dos pais, fazendo-os mostrar os mesmos padrões de engajamento cognitivo e emocional que são vistos nas mães. Em um estudo recente, pesquisadores analisaram a atividade cerebral de 89 novos pais enquanto eles assistiram a vídeos, incluindo alguns com os próprios filhos. O estudo analisou as mães que tinham o papel de principais cuidadoras dos filhos, pais que ajudavam a cuidar dos filhos e pais gays que criavam uma criança sem a figura feminina da mãe.

Todos os três grupos mostraram ativação de redes cerebrais ligadas ao processamento emocional e compreensão social. Em particular, os pais que eram os principais cuidadores de seus filhos mostraram o tipo de ativação no processamento emocional visto principalmente em mães que desempenham esse papel. Os resultados sugerem que há uma rede do cérebro comum a ambos os sexos.

2) Pais experimentam alterações hormonais

Gravidez, parto e amamentação, todas essas coisas provocam alterações hormonais em mães. No entanto, os pesquisadores descobriram que os homens também sofrem mudanças hormonais quando se tornam pais.

Estudos em animais e seres humanos mostram que os novos pais experimentam um aumento nos hormônios estrogênio, oxitocina, prolactina e glicocorticoides, de acordo com uma recente revisão de estudos realizada pela psicóloga Elizabeth Gould e seus colegas da Universidade de Princeton, em Nova Jérsei, nos Estados Unidos.

De acordo com os pesquisadores, o contato com a mãe e os filhos parece induzir as mudanças hormonais nos pais. Nos seres humanos, pais que demonstram mais carinho para com seus filhos também tendem a ter níveis mais altos de oxitocina.

Os efeitos de paternidade sobre os níveis de testosterona são menos claros. Papais humanos mostram uma diminuição da testosterona, o que os pesquisadores acreditam que pode servir para fazer com que os pais fiquem menos agressivos, aproximando-os de seus filhos. Mas alguns pais roedores mostram um aumento nos níveis de testosterona, o que está possivelmente ligado ao seu comportamento de proteção elevado.

Ainda não está claro até que ponto essas mudanças de testosterona são a causa ou o resultado de diferentes comportamentos parentais. “No entanto, o contato infantil em si parece modular sistemas endócrinos e ativar circuitos neurais nos pais de uma maneira que é muito semelhante ao das mães”, escreveram os pesquisadores em seu estudo, publicado em outubro de 2010, na revista Trends in Neurosciences.

3) Um sopro de oxitocina aumenta o vínculo pai-bebê

Embora pais que participam na educação dos filhos mostrem um aumento nos níveis de oxitocina, também ocorre o inverso; o aumento nos níveis do hormônio parece aumentar o contato com as crianças. Em um estudo recente, os pesquisadores descobriram que uma dose do “hormônio do aconchego” deixa os pais mais “engajados” enquanto brincam com seus filhos, e as crianças também ficam mais receptíveis.

Isso significa que um spray de oxitocina torna um pai presente e carinhoso? Ainda não. Os investigadores avisam que este hormônio tem uma variedade de efeitos sobre o comportamento, e nem todos são positivos.

4) Novos neurônios no cérebro do pai

A paternidade também afeta pais no nível neuronal. O nascimento de uma criança parece induzir o desenvolvimento de novos neurônios no cérebro dos pais, pelo menos foi o que estudos com animais concluíram.

Os pesquisadores dizem que esses novos neurônios podem se desenvolver em resposta ao que os cientistas chamam de riqueza ambiental, ou seja, a nova dimensão que a criança traz para a vida de um pai.

Estudos descobriram que as ratazanas que estavam com seus filhotes apresentaram maior crescimento celular na região do hipocampo do cérebro, que está ligada à memória e à navegação. Outros estudos descobriram que os novos neurônios nas regiões olfativas do cérebro permitem que pais camundongos reconheçam seus filhotes. Papais se tornam sensíveis às vozes de seus filhos

Embora seja geralmente pensado que um “instinto materno” torna as mães incrivelmente boas em identificar os berros únicos de seus bebês, um estudo recente sugere que, de fato, os pais são tão bons nisso quanto as mães.

Para comparar o desempenho dos pais na detecção do choro do bebê, pesquisadores pediram a 27 pais e 29 mães que identificassem os gritos de seus bebês entre os gritos de cinco crianças. Em média, pais e mães foram capazes de detectar quais eram seus bebês em cerca de 90% das tentativas, e os homens foram tão bem quanto as mulheres.
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Discriminação no Trabalho Por Causa da Gravidez

Você se sente discriminada de alguma forma no trabalho por causa de sua gravidez?

Pois saiba de que recente pesquisa mostrou de que cerca de 49% das mães na Austrália sofrem de discriminação no seu posto de trabalho durante a gravidez, baixa por maternidade ou quando voltam ao trabalho. Foi o que revelou um estudo da Comissão de Direitos Humanos.

Em consequência da discriminação, 84% das mulheres garantem sofrer de stress físico e mental, bem como problemas de finanças e de carreira.

E você passou por isto? Nos conte sua experiência nos depoimentos deste post!
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Baixa fertilidade X Mulheres priorizam carreira a ser mãe e gravidez

Queria trazer um texto do Blog da Amélia Gonzalez aonde ela reflete um pouco sobre uma nova realidade global de diminuição da fertilidade, aonde as mulheres passam a priorizar suas carreiras, deixando para mais tarde seu sonho de ser mãe e engravidar. Acredito de que muitas de vocês de deva já ter pensado no assunto e possam se identificar com o que vai ser dito abaixo...

Cristina (nome fictício) está enredada num dilema pessoal. Por um lado, seu casamento está indo muito bem, com poucas brigas e discussões, muita afinidade. O marido, há tempos, vem dizendo que gostaria que parassem com os métodos contraceptivos. Cristina gosta da ideia de ser mãe, se envolve. Mas... Por outro lado, sua vida profissional também está num momento especial. Recentemente foi promovida, é agora uma gerente. Sabe que há espaço para crescer ainda mais na empresa, mas sabe também que agora, mais do que nunca, seus superiores vão exigir dela mais comprometimento. A corporação onde trabalha, uma multinacional, entende que os gerentes precisam adotar o sucesso por convicção, não por simples obediência. Cristina tem medo de não conseguir dividir esse sucesso com a maternidade. E pensa que vai ser preciso abrir mão de uma coisa ou de outra.

A questão é que Cristina não está sozinha em seu dilema. Se, nos anos 60, o cientista norte-americano Paul Ehrlich previu uma explosão demográfica que iria colaborar para aumentar os riscos de aquecimento terrestre, especialistas dos nossos tempos estão preocupados com um fenômeno bem diferente. É que nas últimas décadas a taxa de fertilidade vem caindo em vários países ao redor do mundo. A tal ponto que mobilizou um grupo de pesquisadores do Instituto Radcliffe para Estudos Avançados da Universidade de Harvard a fazer uma pesquisa coordenada pela socióloga Mary Brinton, especialista em equidade de gêneros e em sociedades pós-industriais*.

A conclusão do estudo é que sim, o mundo está frente a uma "nova bomba demográfica" (usando aqui o conceito de Ehrlich) que pode minar economias, fazer disparar os custos com saúde e pensões. A baixa fertilidade, se continuar, condenará os países pesquisados a um futuro sem juventude. “Foi realmente um choque quando percebemos isso”, diz Mary Brinton no texto de apresentação de sua pesquisa.

Os estudos da equipe de Brinton começaram em países do Sul da Europa e do Leste da Ásia com taxa de nascimento de cerca de 1.5 bebês por mulher, ou abaixo disso. Demógrafos afirmam que somente se cada mulher tiver no mínimo 2 bebês é que a população de um país poderá ser substituída sem a ajuda de imigração. No Japão e na Espanha a taxa é de 1.4, enquanto na Coréia do Sul é de 1.2. No Brasil, em 2013, essa taxa estava em torno de 1.7, muito menos do que em 2000, quando chegou a 2.4.

Durante um ano, os pesquisadores continuaram a análise dos resultados de 400 entrevistas feitas com homens e mulheres na faixa dos 20 a 30 anos no Japão, Suécia, Espanha, Coréia do Sul e Estados Unidos. Em cada país foram entrevistadas cerca de 80 pessoas com nível de escolaridade pós-secundária. As perguntas eram bem profundas, exigindo reflexão de quem respondia.

A conclusão, diz a pesquisadora, é que a baixa fertilidade pode ser explicada, em grande parte, pelas forças econômicas e atitudes arraigadas de algumas culturas que ainda não respeitam as mulheres que querem exercer duplo papel, como mães e trabalhadoras. Tais culturas, portanto, não dão nenhum suporte a essas mulheres, dificultando sua escolha. Muitas, então, acabam optando por fazer carreira profissional e não se aventurar na tarefa diária de cuidar dos filhos.

Na Espanha, a equipe encontrou muitos casos de casais que passaram a viver com suas sogras e sogros depois de terem um filho, uma forma de pedir ajuda à família para cuidar da criança.

Nos Estados Unidos, segundo a palestra que Mary Brinton deu para um grupo de alunos do Instituto Radcliffe (pode ser vista aqui), a maioria dos casais entrevistados se vê como um "time"; as mulheres dizem que “amam seu trabalho”. E demonstram um forte desejo de flexibilizar mais sua carga horária no sentido de poder dividir com as tarefas domésticas depois que a criança nasce. Mas isso não acontece na maioria dos casos.

No Japão, como na Coreia do Sul, ainda existe uma cultura muito tradicional que obriga os casais a se casarem oficialmente antes de terem um filho. E há uma ênfase forte sobre o ideal da maternidade que torna muito difícil para as mulheres casadas conciliarem a vida de profissional com a de mães. Os pesquisadores perceberam, nos dois países, um desgaste muito grande entre sogras e noras, reflexo talvez da intransigência das gerações passadas ao novo papel desempenhado pelas mulheres mais jovens.
"Os pais japoneses dizem que suas vidas não mudam depois do nascimento do filho, o que quer dizer que eles se distanciam desse momento doméstico. A única mudança sentida é quando eles precisam passar a chegar mais tarde em casa porque têm que aumentar sua carga de trabalho a fim de dar conta dos gastos com o novo membro da família", diz a pesquisadora no vídeo.


Segundo reportagem publicada no site ThinkProgress, a questão da baixa fertilidade vem atingindo também o Irã. Lá, o Ayatollan Ali Khamenei recentemente deu uma declaração dizendo-se preocupado com a situação. Para tentar minimizar o problema, ele criou uma lei que prevê a prisão da mulher que fizer operação de laqueadura de trompas. Mas, a se julgar pela pesquisa lançada pela equipe de Mary Brinton, o mundo corporativo também deveria ser convidado para oferecer soluções.

No livro "Gestão como doença social", o professor de sociologia da Universidade de Paris, Vincent de Gaulejac, traça com linhas de mestre os efeitos que a atual gestão de empresas e pessoas tem sobre a vida dos indivíduos.
"É preciso compreender por que, enquanto a riqueza não para de aumentar, a vida parece sempre mais difícil para muitos. A mobilização sobre o trabalho leva a inverter a ordem das prioridades, como se a sociedade inteira tivesse que se colocar a serviço da economia. A cultura do alto desempenho se impõe como modelo de eficiência e põe o mundo sob pressão. Entre a lógica do lucro e o respeito pelas pessoas, as armas não são iguais", escreve o autor.


Mas há outra questão, essa ainda mais complexa. Há casais que não querem ter filhos simplesmente porque não se sentem aptos, não gostam de crianças a ponto de querer mudar a vida para criar alguém. Desconsiderar esse fato pode ser fatal para o sucesso de qualquer análise a respeito do tema.

Enquanto escrevo, o tempo todo me vem à memória a viagem que fiz em junho passado ao Arquipélago de Bailique, no Amapá (veja aqui). Uma das coisas que mais me impressionou ali foi a enorme quantidade de crianças, todas parecendo muito saudáveis e simpáticas. Num momento de descanso entre as palestras para a formação do Protocolo Comunitário, sentei-me ao lado de uma jovem com um filho nos braços e falei sobre a minha constatação. Ela abriu um sorriso bem maroto e me disse: "Ah, vou lhe contar um segredo: aqui no Bailique a gente começa a namorar, tem filho, passa a viver junto e só depois é que se casa!"

No Bailique ainda não há indústrias e as mulheres, quando precisam ajudar seus maridos, vão à pesca. Nesse momento, como as casas são todas grudadas umas nas outras, as crianças são cuidadas por todas as outras da comunidade, quer sejam parentes, quer não. Era assim no passado, quando a humanidade ainda não era regida pelas leis da eficiência, quando satisfazer as necessidades era uma tarefa mais fácil do que se tornou nos dias atuais.

Não estou defendendo nenhum retorno dramático aos tempos passados. Mas gosto da possibilidade de refletir a respeito e de tentar transformar o que for possível, nos dias de hoje, sempre em busca de mais qualidade de vida.
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Orientação médica é essencial para uso de medicamentos na gravidez

Analisar os fatores associados ao uso de medicamentos em mulheres que estão na primeira gestação foi o objetivo de uma pesquisa que considerou 887 primigestas com idade média entre 21 anos e constatou que a média do uso de medicamento na primeira gestação é de 2,42, sendo os medicamentos mais consumidos: antianêmicos (47,5%), suplementos e vitaminas (18,7%), analgésicos (13,8%) e antibióticos (10,5%).


A pesquisa foi liderada pela pesquisadora do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da ENSP Rosalina Koifman, em parceria com os pesquisadores da Universidade Federal do Acre Alanderson Alves Ramalho, Andréia Moreira de Andrade, Leila Maria Geromel Dotto, Margarida de Aquino Cunha e Simone Perufo Opitz. O estudo aponta também para a necessidade de investimentos para divulgação e educação profissional continuada. Os autores explicaram que a utilização de medicamentos no período da gestação tem sido alvo de discussões no que diz respeito à segurança, e empregada de maneira geral com restrições desde o acidente da talidomid, substância usualmente utilizada como medicamento sedativo, anti-inflamatório e hipnótico. Por outro lado, a gestação é acompanhada muitas vezes de intercorrências, necessitando de intervenções medicamentosas.

De acordo com os autores, no Brasil, os estudos de utilização de medicamentos revelam que a média de consumo é de dois medicamentos por gestante, e esse fato impulsiona iniciativas de pesquisas em nível local, na tentativa de descrever perfis de utilização e padrões de prescrição e de consumo.
“No estudo, foram considerados medicamentos classificados como de risco aqueles categorizados como C, D e X pelo Food and Drug Administration (FDA). Esses, representam os medicamentos que apresentaram efeitos adversos ao feto em trabalhos experimentais em animais, independente de evidências em humanos. Os medicamentos antianêmicos, suplementos e vitaminas com uso preconizado pelo Ministério da Saúde na atenção pré-natal foram denominados essenciais”, descreveram os autores.


Os resultados ressaltaram que a gestação não constitui um estado de enfermidade, porém as gestantes compõem um grupo de risco quando se trata de inserção de tratamento farmacológico. De acordo com os autores, exceto em casos extremos, é possível compatibilizar as prescrições com as características do estágio gestacional.
“Ao profissional de saúde, responsável pelo acompanhamento da gestante, cabe o conhecimento necessário e a opção por medicamentos cujos benefícios superem os riscos e os mecanismos de ação estejam claramente definidos na literatura, embora haja a constatação da escassa produção científica, bem como as limitações na avaliação da segurança dos medicamentos pelos órgãos competentes”, defenderam.
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Efeito Contágio das Amigas Grávidas

Você tem uma amiga que esta grávida?

Então precisa conhecer um novo estudo, que descobriu que as mulheres têm mais chances de engravidar depois de descobrir que as amigas da adolescência também estão se tornando mamães. Segundo o resultado de uma recente pesquisa, divulgada na American Sociological Review, concluiu que a tendência de amigas antigas engravidarem em sequência é real.

Esse contágio começa a crescer logo depois de uma colega de infância dar à luz, chega ao pico cerca de dois anos depois e diminui. Isso conclui que as decisões de fertilidade não estão relacionadas apenas às preferências e características individuais, mas também pelo espaço social em que elas estão inseridas.

O estudo seguiu mais de 1.700 mulheres norte-americanas desde os 15 anos até completarem, em média, 30. Os pesquisadores observaram apenas o impacto da gravidez de amigas do ensino médio no nascimento dos primogênitos das mulheres, e as descobertas só se provaram válidas para situações de planejamento familiar.
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Altos níveis de colesterol podem dificultar gravidez

Altos níveis de colesterol podem reduzir a fertilidade de uma pessoa, de acordo com um estudo publicado recentemente no periódico The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism(JCEM).

A pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde, Universidade de Buffalo e Universidade Emory, nos Estados Unidos, constatou que mulheres demoram mais para engravidar se elas ou os maridos têm colesterol alto.
"Nossos resultados sugerem que quem deseja ter um filho precisa ter um nível de colesterol aceitável", diz Enrique Schisterman, coautor da pesquisa.


Participaram do estudo 501 casais que tentavam engravidar sem tratamento, de 2005 a 2009. Todos faziam parte de um estudo que examinava a relação entre fertilidade e exposição a produtos químicos e estilo de vida.

As mulheres tinham de 18 a 44 anos, e os homens, mais de 18 anos. Os participantes foram acompanhados até a gravidez ou um ano de tentativa.

A partir de amostras de sangue retiradas dos voluntários, os pesquisadores mediram o nível de colesterol livre, sem diferenciá-lo por frações como HDL e LDL, popularmente como colesterol "bom" e "ruim", respectivamente. A tese dos pesquisadores é de que o colesterol está relacionado à fertilidade por ser utilizado na produção de hormônios sexuais, como a testosterona e o estrogênio.

Os pesquisadores constataram que os casais que não conseguiam engravidar durante o estudo apresentavam as maiores concentrações. O alto nível de colesterol não só aumenta os riscos de doenças cardiovasculares, como reduz as chances de um casal engravidar.
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Grávidas têm 42% mais chances de bater o carro

Vocês estão dirigindo normalmente durante sua gravidez?

Então precisam ver este estudo que mostra que as mulheres têm 42% mais chances de bater o carro gravemente quando estão grávidas, revela um estudo do Institute Clinical Evaluative Sciences (ICES) do Canadá. Uma pesquisa feita com meio milhão de mulheres durante cinco anos mostrou que a partir do quinto mês de gravidez o risco de elas baterem a ponto de precisarem de atendimento médico aumenta de 4,55 para 6,47 por 1.000.

Ainda assim, esse número é menor que o risco para os homens da mesma idade, que chega a 7,66 por 1.000. De acordo com o cientista Donald Redelmeier, o segundo trimestre da gravidez é o pior porque as mulheres nesta condição são mais afetadas por náusea, fadiga ou simplesmente distração.
“Isso não quer dizer que as grávidas não devem dirigir, apenas que este risco deve ser levado em conta nos cuidados pré-natais”, salienta Redelmeier.


Em compensação, no primeiro ano do bebê o risco de acidentes cai bastante, pois os pais costumam dirigir com mais cuidado quando estão transportando seus bebês recém-nascidos.
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Ioga reduz estresse na gravidez e auxilia no trabalho de parto

De acordo com um estudo, praticar ioga na gravidez pode aliviar o stress e reduzir o medo do parto nas futuras mamães. Cientistas descobriram que uma única aula diminui em um terço a ansiedade das gestantes. Seus níveis de cortisol, o hormônio do estresse, caíram e depois de dois meses de aulas, as mulheres disseram que tinham menos medo de dar à luz.

O professor e especialista em biomedicina reprodutiva John Aplin, sugere que o exercício pode ajudar as mulheres a lidar com a dor na hora do parto e reduzir o número de cesarianas de emergência. Ele acrescentou que seria relativamente barato implementar tais aulas no sistema público de saúde e que isso poderia contribuir para a qualidade de vida das mães e seus filhos, diminuindo também os custos de cuidados de saúde de longo prazo. A atividade vem se tornando cada vem mais popular e muitas vezes é recomendada por médicos e parteiras.

Pesquisadores da Universidade de Manchester observou dois grupos de mulheres grávidas de 22 semanas. Metade fez uma aula de ioga por semana durante dois meses, e o restante assistiu a aulas de pré-natal. As sessões de ioga foram adaptadas para as gestantes e incluíram técnicas de relaxamento, bem como exercícios para fortalecer o corpo e aliviar a dor. Apenas uma aula a cada semana reduziu a quantidade de ansiedade das mulheres em um terço.

Os níveis de estresse após a sessão foram ainda menores quando comparados ao relaxamento em casa, e muitas creditaram às técnicas a manutenção da calma durante o parto. O coordenador e pesquisador James Newham afirmou que há muito tempo acreditava que praticar ioga funcionava, mas nenhuma investigação tinha sido feita a seu respeito para apoiar a teoria.
Temos agora uma forma para provar que o exercício pode ajudar e tem o potencial de realmente auxiliar as mães que estão se sentindo ansiosas sobre sua gravidez— comenta.


É recomendável que gestantes se mantenham ativas para facilitar o trabalho de parto.
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Usar antibiótico durante a gravidez pode prejudicar o bebê

Mulheres grávidas que consomem antibióticos podem estar colocando o bebê em risco. Pois alguns pesquisadores descobriram recentemente de que os medicamentos utilizados para combater algumas infecções podem sim interferir também no sistema imunológico do feto.

Um estudo realizado no Children’s Hospital of Philadelphia, nos Estados Unidos, mostrou que as bactérias do intestino desempenham um papel crucial na produção dos glóbulos brancos, responsáveis por combater as infecções, do bebê. Os pesquisadores descobriram que, assim como os humanos, os ratos têm um aumento destes glóbulos próximo ao nascimento e que esta resposta é reduzida quando as mães ingerem antibióticos. Isso faz com que os bebês fiquem mais vulneráveis a infecções por E.coli, especialmente quando nascem prematuros.

Os especialistas mostraram que estas bactérias regulam a produção de células brancas do sangue de filhotes de ratos. Expor mães e fetos a antibióticos reduz a diversidade das bactérias, sendo que muitas são benéficas, e também prejudicam a resistência à infecção do recém-nascido. A pesquisa incita os médicos a se esforçarem para diminuir o uso deste tipo de medicamento durante a gestação.
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Estudo polêmico questiona benefícios da amamentação

Um novo estudo da Universidade do Estado de Ohio, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver, dos Estados Unidos, está gerando polêmica ao sugerir que os benefícios da amamentação para a saúde e o bem-estar estão sendo supervalorizados. Em outras palavras, os cientistas questionaram o resultado de inúmeras pesquisas publicadas pelas mais respeitadas revistas científicas do mundo nos últimos anos, que apontam que o leite materno fortalece o sistema imunológico, diminui o desenvolvimento da obesidade e até mesmo problemas neurológicos.

Publicado na revista “Social Science & Medicine”, o estudo analisou dados da Pesquisa Longitudinal Nacional da Juventude dos EUA desde 1979. Eles avaliaram informações de 8.237 crianças e 1.773 pares de irmãos alimentados de forma diferente quando bebê, uns tinham recebido leite materno e outros complemento alimentar. De acordo com os autores, a opção por avaliar irmãos teve como objetivo excluir diferenças sociais, genéticas e de criação do resultado.
“Muitos estudos anteriores não controlaram ou não puderam controlar estatisticamente fatores como raça, idade, renda familiar, o emprego da mãe, coisas que sabemos que podem afetar tanto a amamentação quanto os resultados de saúde”, disse Cynthia Colen, professora de sociologia da Universidade do Estado de Ohio e principal autora do estudo. “Mães com mais recursos, com níveis mais elevados de educação e de renda e mais flexibilidade em suas programações diárias são mais propensas a amamentar seus filhos e fazê-lo por longos períodos de tempo”.


Os pesquisadores analisaram 11 indicadores de saúde e bem-estar infantil: índice de massa corporal (IMC), obesidade, asma, hiperatividade, relação afetiva com os pais e comportamento de obediência, bem como pontuações prevendo desempenho acadêmico em vocabulário, leitura, matemática, inteligência e competência escolar.

Apesar das análises sugerirem que a amamentação com leite materno levou a melhores resultados do que a alimentação com mamadeira em 8 dos 11 indicativos, a comparação com irmãos da mesma família foi descrita como tendo diferenças próximos do zero, ou estatisticamente não significativas. Com isso, a equipe concluiu que o melhor desempenho no estudo geral poderia ter ocorrido por fatores externos. Eles também sugeriram que os irmãos amamentados eram mais propensos a ter asma. Assim que publicada, a pesquisa gerou respostas ao redor do mundo. O Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido revisou o estudo e publicou em seu site texto com diversos questionamentos. De acordo com o NHS, não está claro por que essa tendência inversa (da asma) foi encontrada neste estudo, mas ele não mostra que a amamentação provoca asma ou que a mamadeira impede.

O resultado que aponta que a amamentação pode gerar asma é bobagem. É tão impossível que não pode ser levado em consideração, afirma Marisa Aprile, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ao contrário, a amamentação reveste o trato respiratório, e pesquisas já comprovaram que crianças alimentadas apenas com leite materno até os seis meses tinham crises mais brandas e eram menos dependentes de oxigênio mesmo com bronquiolite.

Um dos pontos mais questionados da pesquisa é a base de dados. Eles não levam em consideração, por exemplo, o tempo de amamentação do bebê e nem se o leite materno foi o único alimento da criança até os meses, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde. No caso dos irmãos, os pesquisadores não questionam os motivos pelos quais a mãe amamentou um e não outro filho.
“Uma mãe pode ter começado a amamentar o seu filho, ter encontrado problemas, não ter tido um bom suporte e logo depois ter introduzido a fórmula (complemento alimentar para bebês). Para os pesquisadores, a criança foi amamentada mesmo que tenha sido apenas uma vez”, escreveu Mike Brady, coordenador de campanha da Baby Milk Action, no site da ONG. “Será que devemos realmente esperar que essas crianças tenham ganhos significativos em leitura e habilidades matemáticas anos depois?”.


De acordo com Marisa, o ano da coleta de dados também pode ser considerado um dos pontos questionáveis do estudo. Se reparar bem, eles usam dados que começam em 1979, uma época onde não conhecíamos exatamente todos os benefícios da amamentação. A orientação não era adequada e por isso muitas mulheres tinham problemas para amamentar, explica Marisa. Antigamente também a indicação era dar suco a partir dos dois meses e fruta a partir dos três. Os estudos atuais que mostram os benefícios da amamentação se baseiam em crianças que só mamam até os seis meses.

Maria Lúcia Futuro, uma das coordenadoras da ONG Amigas do Peito, acusa a indústria de alimentos e bebidas para bebês de tentar fabricar dúvidas sobre a importância da amamentação.
Eu vi o estudo e deu vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Pois ele tem um monte de furos, mas vai servir para que pessoas não tão esclarecidas questionem a amamentação. E isso acontece justamente no momento em que o mundo inteiro se conscientiza dos benefícios do leite materno e as indústrias começam a se sentir ameaçadas, acusa Maria Lúcia.


O estudo de Ohio questiona a culpa que as mulheres sentem por não poder amamentar e afirma que investimentos em políticas de licença maternidade, creches públicas e um melhor salário para mães de baixa renda poderiam ser mais benéficos do que o leite materno. Segundo Marisa, uma coisa não tem a ver com a outra:
Tenho a impressão de que algumas pessoas supervalorizam o fato de umas mulher conseguirem amamentar e outras não. As que amamentam foram abençoadas, mas não quer dizer que as que não conseguiram não tenham feito coisas muito boas para seus filhos. Mas ao invés de usar a energia para falar mal do leite materno, deviam usar a mesma energia para dar suporte as que não conseguem alimentar seus filhos naturalmente.
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Conheça riscos, mitos e benefícios de cada tipo de parto

Normal ou cesárea?

Cientistas de 25 países resolveram estudar o impacto da realização de cesarianas em grávidas de gêmeos. O esforço internacional foi motivado pelo aumento do número de cirurgias agendadas nestes casos em todo o mundo devido à crença de que há um risco maior para a mãe e os bebês quando o nascimento ocorre por parto normal. Só nos Estados Unidos, o índice saltou 50% entre 1995 e 2008, para 75% dos partos de gêmeos.

O estudo analisou 2,8 mil partos ao longo de oito anos e seu resultado, publicado no fim do ano passado, vai contra o imaginário coletivo. 'A cesárea planejada não reduz o risco de morte em gravidez de gêmeos', diz o obstetra Renato Sá, vice-presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (Segorj), que participou da pesquisa. 'Provou-se que era mito.'

Não se trata do único falso motivo apontado como indicação de cesárea em consultórios Brasil afora. Obstetras ouvidos pela BBC Brasil relatam casos em que mulheres fizeram cesáreas desnecessárias porque 'o bebê é grande ou pequeno demais', 'a mãe tem bacia estreita' ou 'o bebê virou de posição durante o parto'.

Uma dos mitos mais frequentes na indicação de cesariana é o bebê estar com o cordão umbilical enrolado no pescoço. 'O cordão é como um fio de telefone: para enforcar a criança, seria necessário muito esforço', diz Sá. 'De qualquer forma, quando ela desce pelo canal vaginal, o cordão vai se desenrolando.'

Na verdade, são poucas as situações que podem ser solucionadas apenas pela cesariana, segundo os médicos consultados para esta reportagem. Uma delas é quando a placenta se desloca e bloqueia a saída do bebê, fenômeno conhecido como placenta prévia total. A força feita pela criança ao tentar nascer pode causar uma hemorragia grave e o óbito da mãe e do filho.

Outro caso é a hipertensão desenvolvida pela mulher durante gestação, a eclampsia. 'Se a mãe é diabética grave, também é preciso fazer cesárea', afirma Etevino Trindade, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Quando a gestante tem um problema de coração grave, a cirurgia deve ser feita.

Ainda estão nessa categoria grávidas portadoras do vírus HIV que tenham uma carga viral alta e imunidade baixa ou com uma lesão de herpes genital ativa no fim da gestação (a cesárea evita o contágio do bebê) e o descolamento prematuro da placenta, que gera risco de sangramento excessivo. Na maioria dos casos, a situação específica deve ser avaliada. 'Uma cesárea também traz riscos, apesar de serem menores do que no passado', diz o obstetra Pedro Octávio Britto Pereira, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). 'É preciso saber qual é a forma de parto mais segura e optar por ela.'

Não se pode negar que a cesariana é um recurso valioso para salvar vidas e deve ser usada num quadro crítico. Pode ser o caso, por exemplo, de quando o cordão umbilical sai antes do bebê, durante o parto, fenômeno conhecido como prolapso. Isso corta o fluxo de sangue para a criança. A situação deve ser resolvida em minutos, caso contrário o bebê morre.

No entanto, a cesárea é em geral mais arriscada e pode trazer prejuízos para a mãe e o bebê. O estudo 'Morte materna no século 21', publicado em 2008 no periódico American Journal of Obstetrics and Ginecology, analisou 1,46 milhão de partos e encontrou um risco de óbito dez vezes maior para a gestante em cesarianas. Enquanto a taxa de morte em partos normais foi de 0,2 para 100 mil, no caso das cesáreas chegou a 2,2 por 100 mil.

Deve-se levar em conta que, em parte dessas cesáreas, a situação já era emergencial e mais arriscada. Mas o aumento do agendamento deste tipo de parto torna o índice preocupante. A cesárea é uma cirurgia e pode gerar hemorragia, infecções e danos a órgãos internos da gestante, sem que fosse necessário assumir o risco de ter estas complicações.

O maior número de cesáreas agendadas também coincide com o aumento de bebês prematuros, já que a idade gestacional não pode ser calculada com exatidão. Isso faz com que nascimentos ocorram muito antes do recomendado, algo associado a problemas respiratórios no bebê.

O parto normal traz benefícios para o bebê e a mãe. Durante o parto, a mãe produz os hormônios oxitocina, que estudos indicam ser capaz de proteger o recém-nascido de danos no cérebro e ajudar no amadurecimento cerebral, e prolactina, que favorece a amamentação. 'O parto normal é um processo fisiológico normal. Não há por que transformar isso num procedimento cirúrgico sem necessidade', afirma Sá, do Segorj.

Uma situação em que a cesárea costuma ser pré-agendada no Brasil é quando o bebê está 'sentado' na barriga da mãe. Isso gera o risco da sua cabeça ficar presa na pélvis da mãe. Mas a cesárea não é a única saída. O médico pode tentar, durante a gestação, colocar manualmente o bebê de ponta cabeça, posição mais indicada para o nascimento, por meio de uma manobra conhecida como versão externa.

Ter feito duas cesáreas anteriormente também não é indicação absoluta de necessidade de nova cesárea. Como o útero tem cicatrizes de operações anteriores, elas podem se romper durante o parto normal. 'Mas a literatura médica indica que a mulher tem o direito de tentar porque o risco absoluto é baixo, de menos de 1%', afirma o obstetra Jorge Kuhn. 'Se os pais acharem que ainda assim é um risco alto, é melhor nem tentar.'

Os obstetras ouvidos são unânimes numa questão: a melhor forma da mãe tomar uma decisão é informar-se. É possível consultar os sites da Febrasgo e da Associação Médica Brasileira, órgãos que publicam diretrizes sobre partos normais e cesarianas. Os colégios de ginecologia e obstetrícia dos Estados Unidos, da Austrália, do Canadá e do Reino Unido servem de referência para profissionais de todo o mundo.

'Se a mulher não vai atrás de informação, ela dá ouvidos aos relatos de amigas e parentes. Muitas dessas mulheres fizeram cesáreas por razões que consideram justificáveis, mas que não são', afirma Kuhn. 'A mãe também pensa que o médico estudou muito para se formar e que não tem autoridade para questioná-lo. Mas é importante que ela saiba as indicações reais e seus direitos para ser a protagonista de seu parto, em vez de delegar isso ao obstetra.'

Caso a mulher opte pelo parto normal, é indicado que ela descreva num documento o plano de parto, como gostaria de ser tratada antes, durante e depois, deixando suas preferências claras para a equipe médica. São importantes dados como quem será o acompanhante, as intervenções médicas bem-vindas ou não e se quer dar de mamar logo depois do bebê nascer.

Assim, a mulher pode debater com o médico para que tudo fique esclarecido. O plano de parto não tem validade legal, como um contrato, mas aumenta as chances da mãe ter seu filho da forma como deseja. 'Não quer dizer que isso será obedecido, mas garante um questionamento jurídico se houver necessidade', explica a obstetriz Ana Cristina Duarte, uma das principais vozes do movimento de humanização do parto no país.

Se a mãe não tiver sua vontade respeitada ou sofrer algum tipo de violência no parto, ela deve exigir uma cópia de seu prontuário no hospital e denunciar o caso. É aconselhado escrever uma carta com os detalhes do ocorrido. 'Envie para a ouvidoria do hospital com cópia para a diretoria clínica, para a Secretaria Municipal de Saúde e para a Secretaria Estadual de Saúde', diz Duarte.

A obstetriz acrescenta que, se o parto ocorreu em uma maternidade particular, a diretoria do plano de saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também devem ser comunicadas. 'Se for um caso grave, procure a ajuda de um advogado', afirma Duarte.
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53% das mulheres engravidam após os 30 anos

A Orizon, que trabalha no segmento de serviços para os segmentos de saúde, seguros e benefícios, acaba de concluir um estudo com 38.524 gestantes, que tiveram filhos ao longo do ano passado. Pelo estudo de economia em saúde, 23,5% das gestantes estão acima dos 35 anos, 32% entre 30 e 34 anos, 41,5% entre 20 e 29 anos e apenas 3% abaixo dos 19 anos.

Segundo o trabalho, as cesarianas (89%) são muito mais frequentes do que os partos normais (11%), mas a incidência do parto natural é mais prevalente na faixa etária entre 20 e 29 anos com 44% do total, entre 30 e 34 anos é de 31% e acima dos 35 anos de 22%. Já no caso das cesarianas, as porcentagens ficam um pouco mais próximas: 39%, entre 20 e 29 anos, 33% entre 30 e 34 anos e 25% acima dos 35 anos.

Segundo estudo do Hospital das Clínicas de São Paulo, na década de 70, apenas 5,5% das gestantes tinham acima dos 35 anos. Para médicos ginecologistas e obstetras o ideal, do ponto de vista anatômico e funcional e da fisiologia do aparelho reprodutor feminino, é uma gravidez entre os 20 e 29 anos. A partir dos 35 anos já representa uma gestação de alto risco, com maior possibilidade de ter um filho com Síndrome de Down, maior incidência de hipertensão e diabetes, além de outras doenças pré-existentes.

O estudo constata uma mudança de comportamento da mulher nos últimos 40 anos que, ao conquistar espaço no mercado de trabalho, passou a adiar a gravidez. Para gerentes de RH, administradores de carteiras de saúde, é um dado essencial para o planejamento, ações de prevenção e orientações de cuidados que a mulher deve ter ao optar pela gravidez mais tardia.

Algo que temos acompanhado esta clara mudança na idade média das clientes na loja da Zazou ao longo destes últimos 13 anos, desde 2001, quando temos uma estatística da idade média, crescente partindo de uma média de 27 anos em 2001, para mais de 34 de média agora em 2014. E é para esta cliente é que fazemos nossas roupas.
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Consumo de álcool na gestação

Chegando o final de semana e os programas sociais, logo vem a tentação de beber durante a gravidez, mas queremos fazer um alerta de que segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, o consumo de álcool em excesso na gestação é a principal causa não hereditária de retardo mental. A exposição pré-natal a qualquer tipo e quantidade de bebida alcoólica pode acarretar problemas graves ao bebê, até mesmo surgir tardiamente e ainda se perpetuar na fase adulta.

A SAF (Síndrome Alcoólica Fetal) apresenta diversas manifestações, desde alterações comportamentais até malformações congênitas neurológicas, cardíacas e renais. Contabiliza, no mundo, de 1 a 3 casos por 1.000 nascidos vivos. Segundo Conceição Aparecida de Mattos Segre, coordenadora do Grupo de prevenção dos efeitos do álcool na gestante, no feto e no recém-nascido da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), no Brasil não há dados oficiais no país sobre a afecção.

Importante ressaltar que o melhor caminho é a prevenção. Não há nenhuma comprovação de uma quantidade segura de bebida alcoólica que proteja a criança de risco. Neste caso, a gestante ou a mulher que pretende engravidar deve optar por tolerância zero à bebida alcoólica.

O conjunto de efeitos decorrentes do consumo de álcool, em qualquer dosagem ou período da gravidez, é chamado de “espectro de distúrbios fetais relacionados ao álcool”, que inclui a SAF.

A frequência dessas implicações varia conforme etnia, genética e até mesmo a quantidade ingerida. Isso não significa que todos os bebês expostos serão afetados, mas a probabilidade é alta.

Bebês com SAF têm alterações bastante características na face, as chamadas dismorfias faciais. Além disso, faz parte do quadro o baixo peso ao nascer devido à restrição de crescimento intrauterino e o comprometimento do sistema nervoso central. Essas são as características básicas para o diagnóstico no período neonatal.

No decorrer do desenvolvimento infantil, o dismorfismo facial atenua-se, o que dificulta o diagnóstico tardio. Permanece o retardo mental (QI médio varia de 60 a 70), problemas motores, de aprendizagem (principalmente matemática), memória falha, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, entre outros.

Os adultos demonstram problemas de saúde mental em 95% dos casos, como pendências com a lei (60%); comportamento sexual inadequado (52%) e dificuldades com o emprego (70%).

Em São Paulo, o Grupo da SPSP, coordenado por Conceição, cria ações para conscientizar os pediatras, com distribuição de material em eventos científicos, publicações disponíveis na internet aos associados da SPSP e cursos voltados para equipes multidisciplinares de capacitação para reconhecimento e condutas nesses casos.

Nos Estados Unidos e Canadá, existe um teste que identifica produtos do álcool no mecônio ou cabelo do recém-nascido. É uma técnica de alto custo, que ainda não está disponível no Brasil.

Sabemos que o diagnóstico precoce da doença melhora os resultados obtidos por meio de tratamento multidisciplinar ainda na primeira infância. Vale lembrar que os efeitos do álcool ocasionados pela ingestão materna de bebidas alcoólicas durante a gestação não têm cura, por isso vale a máxima, o quanto antes parar, melhor para a gestante e para o bebê.

Sabe o que mais?

O consumo de álcool durante a gestação pode potencializar as estrias, já que a bebida é altamente calórica!
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Uso de paracetamol na gravidez pode levar a déficit de atenção e hiperatividade nos filhos

Paracetamol (ou acetaminofeno), encontrado em diversos remédios como Excedrin e Tylenol, fornece alívio para dores de cabeça e dores musculares. Quando usado adequadamente, é considerado na sua maioria inofensivo. Nas últimas décadas, a droga tornou-se o medicamento mais comumente usado por mulheres grávidas para febres e dores.

Agora, um estudo de longo prazo feito pela Universidade da Califórnia em Los Anegeles (EUA), em colaboração com a Universidade de Aarhus, na Dinamarca, tem levantado preocupações sobre o uso do paracetamol durante a gravidez.

O estudo mostrou que tomar a droga durante a gravidez está associado a um risco maior de crianças com transtorno hiperquinético ou hipercinético, uma forma particularmente grave do transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

TDAH, um dos transtornos neurocomportamentais mais comuns em todo o mundo, é caracterizado por desatenção, hiperatividade, aumento da impulsividade e desregulação motivacional e emocional.
“As causas do TDAH e transtorno hipercinético não são bem compreendidas, mas ambos fatores ambientais e genéticos contribuem claramente”, disse Beate Ritz, uma das autores sêniores do estudo. “Sabemos que tem havido um rápido aumento em distúrbios neurológicos, incluindo TDAH, ao longo das últimas décadas, e é provável que o aumento não seja apenas atribuído a melhores diagnósticos ou sensibilização dos pais. É provável que existam componentes ambientais também”. Por conta disso, os pesquisadores resolveram procurar causas ambientais evitáveis que poderiam desempenhar um papel na doença.


Parte da neuropatologia pode já estar presente no momento do nascimento, fazendo com que a exposição durante a gravidez e/ou infância fosse de interesse particular. Como o paracetamol é o medicamento mais comumente usado para dor e febre durante a gravidez, os cientistas focaram nele.

Os pesquisadores usaram um estudo nacional dinamarquês sobre gestações que incide especialmente sobre os efeitos colaterais dos medicamentos e infecções. Eles estudaram 64.322 crianças e mães com dados de 1996 a 2002. O uso do paracetamol durante a gravidez foi determinado por meio de entrevistas telefônicas realizadas até três vezes durante a gravidez, e seis meses após o parto.

Os pesquisadores acompanharam os pais até quando seus filhos atingiram a idade de 7 anos, perguntando sobre os problemas comportamentais das crianças através de um questionário padrão que avalia cinco domínios, incluindo sintomas emocionais, problemas de conduta, hiperatividade, relações entre pares e comportamento social.

Além disso, obtiveram diagnósticos de transtorno hipercinético entre as crianças do estudo a partir de registros de hospitais dinamarqueses.

Mais da metade de todas as mães relataram o uso de paracetamol durante a gravidez. Os pesquisadores descobriram que as crianças cujas mães usaram a droga tinham um risco 13 a 37% maior de receber um diagnóstico hospitalar de distúrbio hipercinético, ser tratado com medicamentos de TDAH ou apresentar comportamentos de TDAH aos 7 anos.

Quanto mais tempo o paracetamol foi tomado, ou seja, nos segundo e terceiro trimestres de gravidez, mais fortes foram as associações. Os riscos foram elevados para 50% ou mais quando as mães tinham usado o analgésico comum por mais de 20 semanas na gravidez.
“Sabe-se a partir de dados obtidos em estudos com animais que o paracetamol é um disruptor hormonal, e exposições hormonais anormais na gravidez podem influenciar o desenvolvimento cerebral do feto”, disse Ritz.


Paracetamol pode atravessar a barreira placentária, por isso é plausível que a droga possa interromper o desenvolvimento do cérebro fetal, interferindo com hormônios maternos ou através de neurotoxicidade, como a indução de estresse oxidativo, que pode causar a morte de neurônios.
“Precisamos de mais pesquisas para verificar estes resultados, mas se eles se mostrarem verdadeiros, então o paracetamol não deve mais ser considerado uma droga segura para o uso durante a gravidez”, disse o Dr. Jørn Olsen, outro autor sênior do estudo.
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Pesquisa sugere melhor período para mulher perder peso após gravidez

Uma pesquisa conduzida por médicos do Canadá sugere que o período entre três e 12 meses depois do parto é o ideal para perder os quilos a mais ganhos durante a gravidez.

Segundo o estudo, publicado na revista especializada 'Diabetes Care', as mães que não conseguem perder o excesso de peso dentro de um ano depois do nascimento do bebê, ou engordam neste período, podem correr sérios riscos de saúde.

Os pesquisadores afirmam que esse grupo pode vir a sofrer problemas como hipertensão e outros fatores que provocariam diabetes e doenças cardíacas no futuro.

O estudo revelou que os fatores de risco mais elevados para a saúde das mulheres - observados um ano depois do parto e naquelas que não emagraceram - não foram verificados três meses após o nascimento do bebê.

A conclusão sugere que o período crítico para as mulheres perderem pelo menos uma parte do peso extra ganho durante a gravidez se estende de três a 12 meses depois do parto.

Os pesquisadaores canadenses acompanharam o emagrecimento depois do parto de um grupo de cerca de 300 mulheres saudáveis. Eles também monitoraram fatores de risco para diabetes e doenças do coração, como a pressão sanguínea, o LDL (colesterol ruim) e a resistência à insulina (hormônio responsável pela redução da glicemia, a taxa de glicose no sangue).
A maioria das mulheres não está voltando ao peso de antes da gravidez logo imediatamente (depois do parto) e descobrimos que o padrão típico é que mais de 80% não fazem isto durante três meses, disse Ravi Retnakaran, pesquisador em diabetes e clínico do Hospital Mount Sinai, de Toronto, responsável pela pesquisa. Sugerimos que, entre 3 e 12 meses, a mulher já deva estar na trajetória do emagrecimento', acrescentou. Percebemos que o período entre 3 e 12 meses depois do parto é crucial. Neste período, médico e paciente devem prestar atenção ao controle do peso, o que poderá ser muito importante para a saúde metabólica e vascular a longo prazo', afirmou Retnakaran.


Por causa do crescimento do bebê, é normal o aumento de peso durante a gravidez. Em média, ao longo dos nove meses de gestação, mulheres costumam ganhar cerca de 20% ou mais de seu peso total.

Depois do parto, as tentativas de perder peso podem ser prejudicadas pela falta de exercícios e também pela falta de sono.

A pesquisa também mostrou que o peso de uma mulher um ano depois do parto é um forte indício de como será seu peso 15 anos depois.

A hipótese, segundo os médicos do Hospital Monte Sinai, é que o efeito cumulativo do ganho de peso durante cada gravidez contribui para que a mulher tenha um risco maior de desenvolver doenças como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Ao fim do estudo, os médicos descobriram que 75% das pesquisadas perderam peso entre três e 12 meses após o parto. Eles acrescentaram que a prática de exercícios foi importante para alcançar a meta.

As 25% restantes que não emagreceram ou que engordaram tinham um perfil que mostrava um risco maior de desenvolver diabetes e doença cardíacas no futuro.

Maureen Talbot, enfermeira cardíaca da organização especializada em cuidados com o coração British Heart Foundation, reconhece que pode ser difícil perder peso depois da gravidez, mas lembra que ficar acima do peso aumenta o risco de ataque cardíaco e derrame.
'Com um bebê novo você vai, sem dúvida, ficar ocupada, então não tente correr para dietas e uma rotina extenuante de exercícios', diz Talbot. 'Ao invés disso, volte a fazer exercícios de forma equilibrada encaixando atividades físicas em sua rotina, por exemplo, uma caminhada na hora do almoço ou uma aula de ginástica com o bebê', acrescentou.
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Mães acima dos 35 têm menos chances de ter filhos com malformação congênita

Embora a gravidez depois dos 35 anos pareça ser no mínimo arriscada, um novo estudo garante que crianças nascidas desta forma estão menos sujeitas a riscos de malformação genética.

A pesquisa que chegou a essa conclusão foi extensa, envolveu ecografias retiradas do ventre de 76 mil futuras mães residentes no estado do Missouri, nos EUA. As voluntárias foram divididas entre as de idade superior a 35 anos e as mais jovens do que isto.

Uma malformação congênita é qualquer defeito ou conjunto de defeito na constituição de órgãos de um bebê ao nascer. Alguns, como a anencefalia, praticamente eliminam qualquer chance de sobrevivência, enquanto outros significam deficiências permanentes em várias partes do corpo.

Categorizando as malformações por órgãos específicos, os cientistas obtiveram resultados quase unânimes. Gestantes acima dos 35 anos carregavam fetos com 40% menos chance de ter malformações no cérebro, rins e intestinos. Já para o coração, houve um empate técnico entre os dois grupos.

O objetivo do estudo, segundo uma das líderes do levantamento, não é necessariamente incentivar as mulheres a adiar a gravidez, mas fazê-las se sentir mais seguras. Não se deve, segundo a pesquisadora, desprezar os riscos que uma gestação em idade avançada oferece. Mas o argumento de que a condição aumenta os riscos de deficiência nas crianças, de acordo os cientistas, não pode se sustentar.
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Fumar maconha na gravidez afeta o desenvolvimento do cérebro do bebê

Entre usuários de drogas que engravidam, a maconha é uma das substâncias mais frequentemente usadas. Isso motivou um estudo, publicado na revista científica Embo, sobre os efeitos do componente psicoativo da Cannabis, o THC (delta-9-tetrahydrocannabinol), no cérebro dos fetos. E a conclusão é que, sim, a exposição à droga afeta o desenvolvimento das células cerebrais do bebê.

De acordo com a pesquisa, realizada em ratos e tecido humano, o THC claramente prejudica o desenvolvimento de células nervosas do córtex, parte do cérebro que coordena funções cognitivas mais elevadas e formação de memória. Os autores destacam que a exposição à maconha na pesquisa coincidiu com o período fetal em que as células nervosas formam conexões entre si.

De acordo com o líder do estudo, o professor Tibor Harkany , do Instituto Karolinska e da Universidade Médica de Viena , na Áustria , esses deficits de desenvolvimento podem provocar modificações ao longo da vida das pessoas afetadas.

Ainda que nem todas as crianças que foram expostas à maconha sofram deficits imediatos e evidentes, Harkany adverte que danos sutis podem aumentar significativamente o risco de doenças neuropsiquiátricas no futuro.
"Mesmo que o THC só cause uma pequena alteração, seu efeito pode ser suficiente para sensibilizar o cérebro ao estresse mais tarde, ou provocar doenças neuropsiquiátricas" , diz. o pesquisador. Ele conclui que mesmo o uso medicinal da maconha deve ser evitado durante a gravidez.
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Vitamina D na gravidez pode deixar o músculo do bebê mais forte

Crianças são propensas a ter músculos fortes se suas mães tiveram um nível mais elevado de vitamina D em seu corpo durante a gravidez. É o que afirma um estudo da Universidade de Southampton (Reino Unido), publicado em janeiro no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.

Os autores acompanharam quase 700 mães inglesas e seus filhos. Eles compararam os níveis de vitamina D no corpo dessas mulheres quando grávidas e avaliaram o quão bem seus filhos poderiam espremer um sensor de pressão aos quatro anos de idade.

Os resultados mostraram que crianças cujas mães tomaram vitamina D durante a gravidez tiveram apertos mais fortes e maior massa muscular quando chegaram a idade avaliada. Quanto mais vitamina D a mulher absorvera durante a gravidez, mais forte era o aperto de seu filho.

Segundo os cientistas, a vitamina D tem um efeito sobre a forma como as fibras musculares crescem no útero, ajudando os bebês a trabalhar melhor a musculatura após o nascimento. Eles afirmam que jovens com músculos fortes são menos suscetíveis a quedas e fraturas debilitantes na velhice.

Embora a vitamina D seja encontrada em peixes oleosos e outros alimentos, é, sobretudo criada pelo organismo quando a nossa pele é exposta à luz solar.

Durante a gravidez, a mulher deve adotar e mudar uma série de hábitos, principalmente alimentares. Afinal, o crescimento e o desenvolvimento do feto dependem exclusivamente da nutrição materna. Um estudo feito nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha verificou que mais da metade das gestantes analisadas, tanto adolescentes quanto adultas, não consomem as quantidades adequadas de nutrientes necessários para a plena formação do feto. Segundo a nutricionista Amanda Epifânio, do Citen, há uma necessidade ainda maior de consumir diversas vitaminas e minerais durante a gestação, e as deficiências nutricionais podem provocar desde um peso abaixo do ideal no recém-nascido até uma má formação fetal. "Algumas grávidas, inclusive, requerem atenção especial e suplementação extra alimentar", conta.
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Beber durante a gravidez pode ser pior do que usar cigarro ou maconha

Beber durante a gravidez pode causar mais danos ao feto do que um fumar cigarro ou maconha! Pelo menos é o que dizem alguns especialistas britânicos. Com o alerta, foi preciso alterar as diretrizes governamentais, que indicam às mulheres que têm o hábito de beber que o façam no máximo duas vezes por semana. A recomendação dos especialistas para as gestantes é que eliminem de vez o álcool da rotina.

Pediatras dizem que pelo menos 1% dos bebês nascidos na Inglaterra sofrem de problemas comportamentais ou de desenvolvimento devido à exposição ao álcool. Isto significa que, entre 730 mil nascidos no país por ano, pelo menos 7 mil são afetados. Os danos que as bebidas alcoólicas podem causar são tão sérios que um especialista disse que, se é para ter um hábito ruim durante a gravidez, que seja o uso de maconha ou cigarro.

Neil Aiton, pediatra dos hospitais universitários de Brighton e Sussex, disse que sua recomendação para as futuras mamães seria “não beba”.
“Temos fortes evidências de que beber álcool com regularidade é prejudicial”, afirma. Ele complementa dizendo que bebês de mães que fumam podem nascer menores do que o normal. “Existem outras evidências, mas são menores quando comparadas com os prejuízos psicológicos e neurológicos de longo prazo que o álcool causa ao sistema nervoso.”


Uma taça de 250 ml contém cerca de três unidades de álcool e os médicos dizem que, com isso, as mulheres estão colocando os seus fetos em risco. Sheila Hollins, da British Medical Association, diz que esta é uma recomendação difícil de se seguir, já que as pessoas não sabem o que é uma unidade.

“A recomendação do BMA seria a de que eliminar a bebida durante a gravidez é mais seguro devido à incerteza sobre beber de níveis baixos a moderados”.
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Dieta rica em gordura durante gravidez pode afetar cérebro de bebê

A ingestão frequente de gordura durante a gravidez pode alterar o cérebro do bebê em desenvolvimento, revelou um estudo feito por cientistas americanos. A pesquisa também sugere que essa dieta poderia aumentar a chance de obesidade do filho na vida adulta.

Os testes foram realizados em ratos e mostraram uma alteração na estrutura do cérebro desses animais quando houve ingestão em excesso de gordura durante a gravidez.

Segundo os cientistas, da Escola de Medicina da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, onde o estudo foi conduzido, essa pode ser uma das explicações para o fato de filhos de pais obesos terem maior propensão a se tornar adultos acima do peso.

Especialistas lembram, no entanto, que as mesmas mudanças no cérebro humano ainda não foram cientificamente comprovadas. Hábitos alimentares compartilhados por toda a família são um fator importante em relação à obesidade, acrescentam eles. Entretanto, há evidências de que uma dieta rica em gorduras durante a gravidez pode, de fato, moldar a silhueta da criança no futuro, assim como alterações no DNA.

O experimento feito em ratos mostrou que mães que tiveram uma dieta rica em gordura durante a gravidez deram à luz filhotes com alteração no hipotálamo – parte importante no cérebro para a regulação do metabolismo.

Esses filhotes tinham maior probabilidade de se tornarem obesos e desenvolver Diabetes Tipo 2 em relação a outros cujas mães receberam uma dieta normal.
"Para o filhote, isso pode ser um sinal de que ele pode crescer muito, pois o ambiente está rico em comida", explicou Tamas Horvath, pesquisador e professor de Yale. "Nós, definitivamente, acreditamos que tais processos são fundamentais para entender o que acontece com seres humanos e porque certas crianças têm grandes chances de se tornarem obesas. Precisamos pesquisar mais a fundo, pois esses estudos podem ter forte impacto tanto em animais quanto em serem humanos", acrescentou Horvath.


Segundo ele, uma alimentação saudável durante a gravidez pode ajudar a quebrar o ciclo de que pais obesos vão, incondicionalmente, gerar filhos obesos.
"Pesquisas de 20 anos mostram que a alimentação no início da vida tem efeitos duradouros sobre doenças cardiovasculares, osteoporose e alguns tipos de câncer", explicou Graham Burdge, professor da Universidade de Southampton. "Trata-se de um avanço importante, pois mostra circuitos neurológicos sendo alterados. Essa característica não foi vista antes", acrescentou Burdge.


Ele ressalva, no entanto, que há diferenças fundamentais na forma como ratos e humanos processam a gordura no organismo. Por isso, o mesmo pode não acontecer com mulheres grávidas.
"Muito do que sabemos vem de pesquisas em animais. O próximo grande passo é saber se os mesmos mecanismos ocorrem de igual forma em humanos e como podemos mudar isso".
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Saúde cardíaca do bebê está ligada ao 1º trimestre de gravidez

Fetos que se desenvolvem abaixo do esperado no primeiro trimestre de gravidez podem ter maior risco de desenvolver problemas cardíacos no futuro. Esta foi a descoberta, inédita, foi publicada recentemente no renomado periódico British Medical Journal com o título de: "First trimester fetal growth restriction and cardiovascular risk factors in school age children: population based cohort study".

Nos primeiros três meses de gestação, chamada fase embrionária, o coração e outros órgãos importantes começam a ser formados. Pesquisadores da Escola de Saúde da Universidade Erasmus, na Holanda, decidiram examinar se o baixo peso do feto nesse período estaria associado a um maior risco de problemas cardiovasculares na infância.

O estudo comparou o peso de 1.184 crianças holandesas no primeiro ultrassom (dez a treze semanas de gestação) com marcadores de risco cardiovascular quando elas tinham seis anos (índice de massa corpórea, percentual de gordura, nível de pressão arterial, taxa de colesterol e de insulina). Foram levados em conta também fatores relativos à mãe, como idade, etnia, escolaridade, tabagismo, índice de massa corpórea e de pressão sanguínea.

Os pesquisadores dividiram os fetos em cinco grupos, pelos tamanhos. Comparados com os maiores fetos, os menores, aos seis anos de idade, tinham consideravelmente mais gordura corporal e abdominal, além de uma maior pressão sanguínea diastólica e uma taxa de colesterol desfavorável.

Segundo os cientistas, é possível que algumas associações sejam uma coincidência, mas sugerem que o primeiro trimestre de gravidez pode ser crítico para o desenvolvimento do sistema cardiovascular e metabólico. Estratégias futuras para melhorar a saúde cardiovascular podem começar no início da gravidez ou mesmo antes.
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Debate sobre os Bancos de congelamento de cordão umbilical = Público X Privado

Já está disponível para pais e mães de todo o Brasil uma cartilha da Anvisa que busca esclarecer as verdades sobre o armazenamento do sangue de cordão umbilical. Apesar desta prática ter crescido nos últimos anos, muitas pessoas ainda desconhecem os reais benefícios e as limitações desse tipo de transplante.

O sangue do cordão umbilical é rico em células-tronco e por isso pode ser uma alternativa no tratamento de doenças hematológicas. Mas muitas criticas foram vistas no debate entre a opção de bancos públicos em relação a opção dos privados, e a opção de escolha. Trago então abaixo alguns pontos e informações que precisa saber, para melhor tomar sua decisão.

A primeira e primordial questão é a de esclarecer que, ao contrário do que os papais são induzidos a pensar, a aplicabilidade atual das células-tronco do cordão umbilical vai muito além do tratamento das leucemias, englobando um leque de aproximadamente 80 patologias, entre elas, a doença de Hodgkin, os mielomas múltiplos, as hemoglobinopatias, as doenças metabólicas hereditárias, o linfoma não Hodgkin, patologias relacionadas a imunodeficiência, além de, é claro, servirem como “substituição” de uma medula doente. Segundo dados do NETCORD, houve 9020 unidades de sangue de cordão liberadas para transplantes de crianças e adultos em todo o mundo até 2008. Nos EUA metade de todos os transplantes de células tronco são mediante utilização de sangue de cordão umbilical.

A respeito da tão discutida “célula marcada” que leva alguns pesquisadores afirmarem categoricamente que o sangue do cordão não serviria a uma criança com leucemia por carregar nele as marcas da doença, relatamos aqui o caso da menina de 3 anos que após recidiva da leucemia foi tratada com seu sangue de cordão nos EUA obtendo a cura da doença e, hoje com 6 anos, permanece saudável. Este fato é possível devido a um estudo que os médicos realizaram utilizando o exame de PCR para verificar a ausência dos clones cancerosos nas reorganizações específicas do gene receptor da imunoglobulina. Este caso demonstra que a “célula marcada” não é também uma verdade absoluta.

Vamos esclarecer também o caso da compatibilidade familiar. O sangue do cordão é e sempre será 100% compatível com seu doador, no entanto, ao contrário do que dizem os críticos, estudos mostram que o sangue do cordão possui, entre todas as outras vantagens, a questão de compatibilidade por demonstrar elevada probabilidade de pega de enxerto mesmo nos graus mais elevados de incompatibilidade do HLA, que é o principal parâmetro de compatibilidade para testar o sangue, além de ser também o que apresenta menor índice de mortalidade por GHVD (doença do hospedeiro, comum em transplantes). Estes estudos foram realizados com o acompanhamento de cerca de 2500 transplantes entre doadores e outros pacientes onde a compatibilidade não ultrapassou os 50%.

Ao pesquisar os bancos públicos internacionais de medula óssea, uma unidade sem parentesco compatível, corresponde a cerca de 50-80% dos pacientes, dependendo do grupo étnico. Ainda assim, somente 30% dos caucasianos e uma percentagem menor dos outros grupos étnicos acabam obtendo um transplante de medula a partir de um doador sem parentesco. Isso se deve à deterioração da condição ou óbito dos pacientes durante a busca o que fez do sangue do cordão umbilical surgir como uma alternativa atraente à medula óssea nos últimos anos. A dificuldade em se encontrar doadores para os transplantes alogênicos com a medula óssea no Brasil está relacionada com a alta miscigenação e grande variabilidade genética da população, o que torna importante a obtenção de células-tronco do sangue do cordão umbilical.

Outra questão importante a ser salientada é o fato de que os mesmos pesquisadores que desaconselham fervorosamente o armazenamento do material em Bancos Privados recomendam fervorosamente a doação do mesmo material aos Bancos Públicos, divulgando até, e de maneira errônea, de que essa doação é muito simples. Isso nos leva a levantar uma pergunta: Será que a capacidade e a aplicabilidade das células-tronco do sangue do cordão estão relacionadas ao lugar onde ele será armazenado? Porque elas servem se estiverem nos Bancos Públicos e não servem nos Bancos Particulares?

O Brasil conta hoje com 18 unidades de Bancos Privados que armazenam cerca de 46.813 mil unidades de amostras contra 12 unidades Públicas que contam com 15.345 amostras, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Só para conhecimento, estudos recentes em Londres mostram que um Banco Público ideal deveria ter, para uma população de 61 milhões de pessoas, 50 mil unidades de amostras armazenadas. A Espanha é o país que mais se aproxima disso, contando hoje com 57 mil amostras armazenadas.

O baixo número de amostras dos Bancos Públicos Brasileiros não se deve a existência dos Bancos Privados e sim a imensa dificuldade em doar-se seu material à eles. Ao contrário do desserviço que alguns prestam divulgando que basta um contato do obstetra com um Banco Público para que aconteça a doação, o próprio site do Brasil Cord informa que para haver a doação é necessário que, a gestante realize seu parto em uma maternidade conveniada ao Banco Público, além de realizar exames de sorologia, os quais devem ser repetidos seis meses após o parto e não deve ter mais de 32 anos. Só para que se tenha uma ideia, na grande metrópole de São Paulo há apenas 2 maternidades conveniadas para essa coleta, são elas: a Maternidade do Hospital Israelita Albert Einstein e o Amparo Maternal. Caso a gestante não tenha seu bebê em uma dessas duas maternidades, ou tenha mais de 32 anos a doação é impossível!!!

Mesmo que os Bancos Públicos do nosso país tivessem condições de atender a toda a população, o que ainda está muito longe de acontecer, os pais ainda assim têm o direito de optar por armazenar seu material de maneira particular e tratar isso como se fosse ilegal, inútil, desnecessário ou imoral é ferir o pilar básico da bioética atual que é o princípio da autonomia do paciente. Seria como dizer à população que, visto que possuímos um sistema público de saúde, não há porque se fazer um plano particular. Ainda que os bancos públicos de sangue do cordão sejam indubitavelmente bons para a sociedade, as escolhas defrontadas pelo indivíduo nessa situação são complexas. Caso esteja motivado a doar a unidade de sangue do cordão para um banco público, isso significa que não há garantia de que, caso seu filho necessite, o mesmo estará disponível, isto é, ele poderá ser selecionado para outro indivíduo primeiro. Assim, isso não é como doar sangue para um banco de sangue. Argumentaríamos que não existe uma obrigação ética por parte do indivíduo de doar o sangue do cordão de seu filho para uso público quando tal doação não possa ser recuperada e possa não estar disponível quando sua família necessitar.

Além disso, estudiosos no assunto apontam que uma das principais vantagens de se ter armazenado o sangue do cordão umbilical é a imediata disponibilidade no caso de necessidade, o que diminui sensivelmente os casos de morbidade e mortalidade na espera.

Os Bancos Privados também não podem ser tratados ou reduzidos a meros armazenadores de material para uma parcela privilegiada da sociedade, como insistem em classificar alguns críticos, pois estes são instituições que fomentam e incentivam pesquisas de utilidade públicas a respeito do assunto.

Os críticos do setor afirmam que a doação para um Banco Privado exclui o domínio público de células que de outra maneira seriam úteis para os Bancos Públicos. Visto que os bancos públicos são, em muitos lugares, bem menos desenvolvidos que os bancos privados, o argumento é que estes seriam contra o interesse público e minariam a solidariedade social.
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Resultado de Estudos sobre o Stress e Fumo da Gravidez

Fumar durante a gravidez está associado a inúmeras conseqüências negativas como baixo peso ao nascer, síndrome da morte súbita, aumento do risco de transtorno de déficit de atenção e uso de nicotina pelos filhos. Apesar dessa extensa lista, para se ter uma idéia, uma pesquisa mostrou de que 13% a 30% das mulheres nos Estados Unidos continuam a fumar na gestação.

Agora, um novo estudo longitudinal de 40 anos, publicado na Biological Psychiatry, traz fortes evidências de que a exposição pré-natal a hormônios do estresse materno pode causar dependência da nicotina na vida adulta, mas somente para as filhas. A pesquisa também confirma pesquisas anteriores que os bebês nascidos de mães que fumaram durante a gravidez têm um risco aumentado de dependência da nicotina na vida adulta.
Nosso estudo sugere que o tabagismo materno e o alto nível de estresse representam "chave dupla" para o aumento do risco de filhas dependentes de nicotina quando adultas. As mães que fumam são muitas mais estressadas e vivem em condições adversas, o que representa um importante problema de saúde pública, afirmou a principal autora do estudo, Laura Stroud.


Para conduzir o estudo, os pesquisadores utilizaram dados de um projeto de longo prazo, que começou em 1959 e teve a participação de mais de 50 mil mulheres grávidas. Os descendentes dessas mulheres foram acompanhados durante 40 anos.
Nossos resultados destacam a particular vulnerabilidade das filhas para resultados adversos a longo prazo após estresse e tabagismo na gestação. Nós ainda não sabemos o porquê disso, mas possíveis mecanismos incluem diferenças sexuais na regulação do hormônio do estresse na placenta, disse Laura.


Segundo a pesquisadora, as descobertas da pesquisa podem ajudar a concentrar as atenções sobre as pessoas com maior risco de fumar quando adultas. Ela também ressalta que as diferenças de gênero na vulnerabilidade ao tabagismo merecem estudos mais aprofundados.

Se cuidem!
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Sobrepeso pode contribuir para inflamações na gravidez

Ao engravidar, mulheres obesas ou com sobrepeso apresentam maior risco de desenvolver complicações como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. Uma pesquisa recentemente concluída na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com apoio da FAPESP, oferece pistas para entender por que isso ocorre.

Por meio da análise de amostras sanguíneas de quase 200 gestantes, os pesquisadores concluíram que o sobrepeso está associado a alterações significativas nos níveis de duas substâncias secretadas pelo tecido adiposo, adiponectina e leptina, que podem contribuir para o aumento do grau de inflamação sistêmica.
“Durante a gravidez, existe um grau de inflamação fisiológico resultante da interação entre mãe e feto. Por outro lado, a obesidade, a diabetes e a hipertensão são doenças com forte componente inflamatório. Avaliar a combinação entre gestação e obesidade com foco em inflamação, portanto, parece importante para entender os riscos e os mecanismos envolvidos nessas patologias obstétricas”, disse Silvia Daher, coordenadora do Laboratório de Obstetrícia Fisiológica e Experimental da Unifesp.


A coleta do sangue foi feita no terceiro trimestre de gestação uma vez que, de acordo com Daher, o diabetes gestacional é uma doença que geralmente só se instala a partir da segunda metade da gravidez. Com base no Índice de Massa corporal (IMC) pré-gestacional, as voluntárias foram divididas em quatro diferentes grupos: as com sobrepeso saudáveis (IMC igual ou maior que 25), as com sobrepeso e diabetes gestacional, as com peso ideal (IMC entre 18,5 e 24,9) saudáveis e as com peso ideal, mas com diabetes gestacional.
“Fizemos essa separação para que pudéssemos verificar com precisão se as alterações encontradas estavam associadas ao diabetes ou seriam de fato decorrentes do sobrepeso”, disse Daher.


Três diferentes parâmetros capazes de mensurar o grau de inflamação sistêmica foram analisados nas amostras sanguíneas. O primeiro passo foi medir os níveis séricos de três diferentes citocinas, o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e as interleucinas (IL) 6 e 10, que são moléculas produzidas por células do sistema imunológico e têm um papel importante na modulação da resposta inflamatória no combate a infecções.
“No caso da IL10, cuja ação é anti-inflamatória, notamos uma queda associada apenas ao diabetes, mas não houve diferença relacionada ao sobrepeso. Em relação à IL6 e ao TNF-α – citocinas pró-inflamatórias –, não notamos diferenças significativas nos grupos”, contou Daher.


O segundo parâmetro avaliado foi a presença de células imunológicas ativas no sangue das voluntárias, entre elas as células exterminadoras naturais ou NK (Natural Killers na sigla em inglês) e as células TCD8, dois tipos de linfócitos capazes de liberar substâncias tóxicas para matar, por exemplo, células tumorais ou infectadas por vírus.
“A essa altura da gravidez, essas células de defesa teriam de estar diminuídas, pois podem ser agressivas para o feto. Verificamos uma maior ativação dos linfócitos relacionada ao diabetes, mas não ao IMC”, disse Daher.


Por último, foram medidas nas amostras de sangue os níveis de algumas adipocinas – peptídeos secretados pelas células adiposas com diversas funções, entre elas a regulação da resposta imunológica.
“A adiponectina é uma adipocina com ação anti-inflamatória e anti-hiperglicêmica. Normalmente, ela diminui durante a gestação porque é preciso aumentar a quantidade de glicose circulante para suprir as necessidades do feto. Já a leptina e a resistina são adipocinas que induzem a produção de citocinas inflamatórias, como a IL6 e o TNF-α, podendo agravar a resistência à insulina típica da gestação e também a inflamação sistêmica”, explicou Daher.


As análises mostraram uma redução significativa nos níveis de adiponectina associada ao sobrepeso, bem como aumento nos níveis de leptina. “É um fator que pode estar contribuindo para a inflamação e para uma maior resistência à insulina nas gestantes com sobrepeso”, avaliou Daher.

Segundo Daher, o fato de os resultados mostrarem alterações nas células imunes e nas citocinas apenas associadas ao diabetes e não ao IMC deve-se, possivelmente, ao pequeno número de obesas na amostra avaliada.
“Pretendemos agora estudar um grupo de mulheres com IMC maior ou igual a 30 para ver se há alterações mais intensas nesses e em outros mediadores inflamatórios”, contou.


A crescente epidemia de obesidade no mundo, ressaltou Daher, afeta também mulheres em idade reprodutiva. Dados da literatura apontam que a gestante obesa tem quatro vezes mais risco de desenvolver diabetes gestacional e o dobro de chance de desenvolver pré-eclâmpsia.
“Quem sofre de diabetes gestacional, por sua vez, tem risco aumentado de sofrer de diabetes do tipo 2 no futuro e a criança também fica mais propensa a distúrbios metabólicos. O mesmo ocorre no caso da pré-eclâmpsia. É um risco para a geração atual e a futura”, disse Daher.


Parte dos dados levantados durante a pesquisa e também em estudos anteriores do grupo financiados pela FAPESP foram divulgados em duas revisões publicadas no American Journal of Reproductive Immunology e no Journal of Reproductive Immunology.

Atualmente, a equipe avalia o perfil lipídico de gestantes com sobrepeso para descobrir como as alterações nos níveis de colesterol se relacionam com os mediadores inflamatórios já estudados.
“Também estamos investigando alguns polimorfismos genéticos para saber, por exemplo, se alguém pode ser geneticamente propenso a produzir níveis maiores adiponectina ou menores de leptina. Isso nos ajudará a entender por que algumas pessoas com sobrepeso adoecem e outras, não”, disse Daher.


Para quem leu até aqui o final, e esta preocupada com o peso ideal, gostaria de lembrar de que a Zazou disponibiliza em nosso site, uma calculadora online que diz qual o seu peso ideal a cada semana de sua gravidez, baseado em uma tabela do Ministério da Saúde em:

http://pesoideal.zazou.com.br

Assim como queria dizer de que para as grávidas que usam números maiores, de que a Zazou também se preocupa em atende-las com uma linha Plus Size para gestantes, que podem dar uma olhada como fica em:

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Bactérias podem ser as responsáveis por partos prematuros

O parto prematuro de bebês pode ser causado por bactérias especificas, pelo menos é o que revela um estudo divulgado recentemente na publicação científica americana “Plos One”. O resultado pode ajudar na busca por um melhor tratamento para mulheres que correm o risco de dar à luz antes do tempo. O trabalho sugere que certas bactérias podem levar ao afinamento das membranas ao redor do bebê, tornando mais fácil que elas se rasguem.

Essa ruptura precoce provoca quase um terço de todos os nascimentos prematuros de bebês, aponta a pesquisa. Em situações normais, a membrana que compõe a bolsa que envolve o bebê dentro da barriga da mãe só é rompida no início do trabalho de parto. Se isso acontece antes da formação do bebê, a medicina dá o nome de Ruptura Prematura das Membranas (PPROM, na sigla em inglês).

Os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Duke, na Corolina do Norte, também constataram um alto número de bactérias no local onde as membranas se rompem, o que está associado ao seu afinamento. “Se as bactérias são a causa e não a consequência da ruptura, pode ser possível desenvolver novos tratamentos, ou mesmo elaborar uma tela para as mulheres em risco” conclui o trabalho.
Se pensarmos que certas bactérias estão associadas a ruptura prematura das membranas, podemos rastreá-las no início da gravidez. Assim, é possível tratar as mulheres com antibiótico e reduzir os riscos. Ainda faltam alguns passos a serem dados, mas esse estudo nos permite pensar ainda em intervenções terapêuticas a serem exploradas, disse à BBC News a responsável pelo trabalho e pesquisadora da Escola de Medicina da Universidade de Duke Amy Murtha.


O grupo de cientistas examinou amostras de membranas em 48 mulheres que haviam acabado de dar à luz, incluindo aquelas que sofreram ruptura. Eles descobriram bactérias estavam presentes em todas as membranas. A maior quantidade, no entanto, se encontravam em quem sofreu o PPROM.

Para Patrick O'Brien, especialista do “Royal College of Obstetricians and Gynaecologists”, que fica em Londres, na Inglaterra, diante dessa nova descoberta, o que a medicina realmente precisa fazer é entender o mecanismo detalhado de como as bactérias agem antes de seguir para os próximos passos.
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Consumo de sal na gestação pode causar hipertensão no bebê

O consumo excessivo de iodo, encontrado no sal de cozinha, entre grávidas e lactantes, pode alterar a programação genética dos bebês causando hipertireoidismo e hipertensão quando se tornarem adultos. Por outro lado, se o consumo de sal durante a gravidez for baixo, o problema pode ser o desenvolvimento de resistência à insulina.

Entre as principais fontes de iodo, que naturalmente são bastante consumidos pelas gestantes, estão os temperos e condimentos, além de alimentos como: leite, queijo, ovos e bacon. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde a dose diária recomendada para a ingestão está em torno de 6 gramas por dia, incluindo aí o sal adicionado e o contido no próprio alimento.

Segundo o ginecologista Alberto Monteiro Júnior, durante a gestação, quando a mulher apresenta um excessivo aumento de peso e de volume de líquido corporal, de fato se justifica a redução da ingestão do cloreto de sódio. “As recomendações ficam em torno de 2g a 3g por dia, o que corresponde a menos de uma colher de chá, incluindo o sal dos alimentos e aquele utilizado no preparo deles. Se a mulher for hipertensa, torna-se obrigatório o controle mais rigoroso, pois a doença pode evoluir, representando um grande risco para a gestante e para o feto”, explica.

A hipertensão gestacional é uma complicação clínico-obstétrica que ocorre entre 5 e 7% das grávidas brasileiras. O aumento da pressão é um mal que pode comprometer a saúde e a vida tanto da mãe quanto do bebê. Alberto Monteiro é taxativo: “Maus hábitos e alimentação desequilibrada. Aí está a origem de praticamente todos os problemas de saúde”. Para ele, ainda, o aumento da pressão durante a gestação se inclui nessa sentença.

Alberto Júnior lembra que a deficiência na ingestão do iodo também pode causar um aumento da glândula tireoide e durante a gestação ocasionar danos cerebrais em crianças, porque os hormônios dessa glândula são alguns dos responsáveis pelo desenvolvimento do sistema nervoso central.
“No primeiro trimestre da gestação, o feto é totalmente dependente dos hormônios tireoidianos produzidos pela mãe e qualquer alteração na síntese hormonal nessa fase pode causar consequências graves para o desenvolvimento fetal. Mas, no segundo trimestre, o bebê já tem sua própria tireoide desenvolvida, mas ainda depende do aporte de iodo da mãe, que é feito pela placenta”, disse o especialista.


O ginecologista recomenda que as gestantes devam estabelecer uma dieta balanceada, já que seria impossível devido ao hábito alimentar do brasileiro abolir totalmente o sal dos alimentos, devendo lembrar das dosagens contidas nos alimentos ao natural, sendo que 1kg de sal contém 400mg de sódio.

No mundo, um em cada cinco indivíduos com idade superior a 18 anos apresenta hipertensão arterial. No Brasil, entre 22% e 44% da população adulta é portadora dessa síndrome. As consequências da hipertensão crônica, que é o caso das gestantes que consomem muito iodo durante a gestação, ocasionam o surgimento, muitas vezes sem sintomas, de lesões em órgãos-alvo - angina ou infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, episódio isquêmico ou acidente vascular cerebral e complicações renais.

Nos casos em que a hipertensão arterial surge apenas no curso de uma gestação, o especialista alerta “Nesses casos temos uma patologia obstétrica grave, chamada de Doença Hipertensiva Específica da Gravidez (DHEG), cuja a tríade de sintomas clássicos são a hipertensão, edema e proteinúria, que pode levar a quadros convulsivos com hemorragia intracraniana, que é uma das maiores causas de óbitos maternos e fetais” finaliza.
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Vitamina D na gestação aumenta força muscular dos bebês

Ter filhos mais fortes e saudáveis é um desejo comum entre pais e mães, e os esforços para atingir esse objetivo podem começar mais cedo do que você imagina. Um estudo recente, feito por pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, apontou que a força muscular das crianças está relacionada ao nível de vitamina D no organismo da mãe durante a gravidez.

A pesquisa, publicada no jornal científico The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism (JCEM), mediu os níveis de vitamina D em 678 mulheres na 34ª semana de gestação. Tempos depois, os pesquisadores mediram a massa e a força muscular das crianças ao agarrarem um objeto com as mãos, com quatro anos de idade. Os resultados mostraram que mães com níveis mais altos de vitamina D no organismo geraram filhos mais fortes.

O pesquisador Nicholas Harvey, que liderou o estudo, afirma que essa relação entre vitamina D e força muscular também pode surtir efeitos na saúde futura das crianças. Para ele, é provável que a maior força observada aos quatro anos persista na vida adulta e ajude a prevenir problemas que têm sido relacionados à baixa força muscular em adultos, como diabetes, quedas e fraturas.

O estudo da Universidade de Southampton se soma a outros que vêm comprovando e reiterando a importância da vitamina D na gestação. Uma pesquisa publicada no final de 2012 pelo JCEM, por exemplo, apontou que mães com carência de vitamina D no primeiro e segundo trimestres da gestação têm maiores chances de gerar bebês abaixo do peso normal.

Há ainda registros na literatura médica que sugerem uma ligação entre a falta da vitamina D e a ocorrência de diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, infecções vaginais e perda de massa óssea pela mãe. A comprovação destas hipóteses ainda depende de trabalhos complementares, mas os indícios já deixam claro que a atenção aos níveis da vitaminta D deve ser redobrada durante a gravidez.

O principal fator de formação de vitamina D no organismo é a exposição diária ao sol. Justamente por isso, é comum haver altos índices de carência dessa vitamina entre moradores de grandes cidades, onde as pessoas passam a maior parte do tempo sob iluminação artificial, seja em casa, no trabalho ou em locais de lazer como shopping centers.

Para combater o problema, o obstetra Jurandir Piassi Passos, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aconselha que as gestantes tomem sol por cerca de 30 minutos todos os dias, de preferência no início da manhã ou no final da tarde, quando a intensidade dos raios solares é mais amena.

Caso você não consiga separar meia hora apenas para isso, vale dividir o período em intervalos menores, espalhados ao longo do dia. Quem pratica atividades ao ar livre, por exemplo, já está cumprindo sua cota.

A exposição ao sol deve ser feita sem uso de filtro solar e não precisa usar biquíni ou maiô. Você pode estar de bermuda e camiseta, expondo apenas braços, pernas, pescoço e rosto.

A alimentação também pode ajudar a elevar as doses de vitamina D no organismo. A principal fonte são os peixes de água salgada e seus óleos – como o óleo de fígado de bacalhau –, mas a gema de ovo e os derivados do leite também contém a vitamina em menores quantidades.

Jurandir Passos argumenta que, embora esses esforços para melhorar os níveis de vitamina D sejam importantes, eles podem não ser suficientes. “Há trabalhos que mostram que mesmo com uma mudança nos hábitos alimentares e com exposição ao sol pode ser difícil atingir os níveis ideais da vitamina”, diz o obstetra. Nesses casos, pode ser necessário receitar suplementos, e a maioria dos polivitamínicos indicados pelos obstetras às gestantes já contém doses de vitamina D.

O médico lembra que, antes de fazer qualquer alteração nos seus hábitos, é importante conversar com o seu obstetra para evitar também o problema oposto: excesso de vitamina D. “Essa vitamina pertence ao grupo das lipossolúveis, que se acumulam no organismo, diferente das hidrossolúveis que são eliminadas. O excesso da substância é prejudicial e pode causar alterações renais, sensação de boca seca, náusea e vômitos”, explica Passos.

Por isso, é importante medir os níveis de vitamina D no sangue de cada pessoa e, somente a partir disso, definir a dose correta de suplementos, caso eles sejam realmente necessários.
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Comer castanhas na gravidez reduz risco de alergias em bebes

As crianças poderiam ter menos riscos de desenvolverem alergia ao amendoim se as mães comessem mais castanhas na gestação, apontou uma recente pesquisa do Dana-Farber Children's Cancer Center, de Boston, nos EUA. De acordo o site inglês Daily Mail, o consumo de castanhas não causa nenhum dano ao bebê.

Em geral, as mulheres grávidas são instruídas a não comerem castanhas, especialmente se têm casos de alergias na família. Isto é uma precaução para que o bebê não tenha sensibilidade à castanha. Segundo os médicos, um em cada sete crianças sensíveis, desenvolvem alergia.

No entanto, o estudo, que avaliou 8.205 crianças, mostra que não há risco aos bebés, com excepção das mães que são alérgicas a amêndoas, castanha de caju, avelãs ou pistaches, e que devem manter-se longe do consumo durante a gestação.

Os números mostraram que os bebés de mães que comiam castanhas até cinco vezes por semana tinham probabilidades inferiores de desenvolverem aversão ao grupo de alimentos. "O nosso estudo apoia a hipótese de que a exposição a alergénios precocemente aumenta a probabilidade de tolerância e, assim, reduz o risco de alergia alimentar na infância", explica a Dra. Lindsay Frazier, responsável pelo estudo.

Para Dra. Ruchi Gupta, especialista da Northwestern University Feinberg School of Medicine de Chicago, a pesquisa mostra que as mulheres grávidas devem avaliar melhor antes de suspenderem o consumo de certos alimentos. "Obviamente, as mulheres alérgicas devem continuar a evitar as castanhas, mas as restantes não devem eliminar porque são ótima fonte de proteína, ácido fólico, que ajuda a prevenir defeitos no tubo neural, além de reduzir a sensibilidade a alergias alimentares", disse.

O resultado do estudo gerou controvérsia no meio médico, já que alguns especialistas disseram que pesquisas anteriores não tinham mostrado qualquer efeito real dos efeitos positivos do consumo.

"Existe também uma forte evidência que sugere que a alergia não se desenvolve até o nascimento e que a exposição da pele do bebé à proteína das castanhas é o item mais importante no desenvolvimento da alergia", explica Dr. Adam Fox, consultor em alergias infantis do Guy's and St Thomas's NHS Foundation Trust. Ele completa: "os últimos estudos mostram que não há necessidade de evitar as nozes, nem de comê-las ativamente".

As pessoas que são diagnosticadas com alergia a amendoim podem ter problemas respiratórios se comerem ou entrarem em contacto com o alimento e, em casos extremos, correm o risco de terem choque anafilático. Segundo levantamentos, o número de crianças britânicas alérgicas a castanhas dobrou nos últimos 20 anos.
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Bebês que nascem por cesariana podem ter problemas de obesidade

De acordo com um estudo divulgado pela publicação cientifica Archives of Disease in Childhood, ligada ao British Medical Journal, os bebês que são nascidos através de cesariana apresentam o dobro de chances de desenvolver obesidade na infância, comparando com aqueles que vêm ao mundo pelo parto natural.

A pesquisa foi feita com 1.255 crianças. Em estudos passados já havia sido apontado a ligação da cesariana com outros problemas para o bebê, tais quais como a rinite alérgica e a asma.

Porém, este tipo de parto é o mais realizado no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou até a emitir um alerta ao nosso país sobre o excesso de cesárias. No total, são 52% dos partos que são realizados por meio da cirurgia.

Na rede particular, este percentual chega a 82%. Na taxa preconizada, o total de partos fica em 15%. A relação da cesariana em aumentar a probabilidade de o bebê ficar obeso pode estar relacionada nas mudanças da flora intestinal do feto, de acordo com os responsáveis pelo estudo.

Os bebês que nascem via parto normal adquirem da mãe, algumas bactérias que são essenciais para uma boa digestão. Já aqueles que são nascidos através da cesariana, apresentam menos bactérias que ajudam na digestão.

Além disso, eles tiveram a presença maior de micro-organismos que estão associados à obesidade, tais micro-organismos atrapalham na regulagem da absorção de açúcar.
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Consumo excessivo de iodo durante a gravidez pode causar problemas na tireoide

Queria começar o ano falando de um estudo feito na Universidade de São Paulo (USP), que mostrou que o consumo excessivo de iodo durante a gravidez e lactação pode tornar os filhos mais propensos a sofrer de hipotireoidismo quando adultos. O estudo foi feito com ratas e faz parte do projeto de pós-doutorado de Caroline Serrano do Nascimento. O iodo é um nutriente essencial para o ser humano, usado na síntese dos hormônios da tireoide T3 e T4, necessários para regular o metabolismo e auxiliar no funcionamento correto de todos os órgãos.

De acordo com Caroline, a deficiência de iodo pode causar um aumento da glândula tireoide e durante a gestação danos cerebrais em crianças, porque os hormônios dessa glândula também são alguns dos responsáveis pelo desenvolvimento do sistema nervoso central.
“Mas ao mesmo tempo, o consumo maior do que a dose diária recomendada (150 microgramas) pode prejudicar o ser humano, por isso a dose de iodo no sal passou para 20 a 60 miligramas por quilo no Brasil. Esse é o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para populações que consomem até dez gramas de sal por dia”.


Caroline explicou que a pesquisa avalia os ratos filhos de mães que passaram pela superdosagem de iodo, na vida adulta para ver se houve algum tipo de alteração.
“Uma série de genes tiroidianos relacionados com a síntese de hormônios da tireoide estão diminuídos nesses animais. Isso quer dizer que a prole pode estar mais exposta a desenvolver o hipotireoidismo quando a mãe ingere excesso de iodo [durante a gestação]”.


Ela disse também que no primeiro trimestre da gestação, o feto é totalmente dependente dos hormônios tireoidianos produzidos pela mãe e qualquer alteração na síntese hormonal nessa fase pode causar consequências graves para o desenvolvimento fetal. Após o segundo trimestre, o bebê já tem sua própria tireoide desenvolvida, mas ainda depende do aporte de iodo da mãe, que é feito pela placenta.

Para fazer o estudo a pesquisadora ofereceu água com uma dose de iodo cinco vezes maior que a recomendada para as ratas desde o início da gestação até o fim da lactação, o que seria o equivalente a ingerir o iodo contido em 12 gramas de sal. Outro grupo ingeriu a quantidade considerada ideal.
“Após o desmame, aos 21 dias de idade, as proles dos dois grupos passaram a receber ração e água com quantidades ideais de iodo. Aos 90 dias de idade, constatamos que os filhotes das ratas submetidas à sobrecarga do mineral haviam desenvolvido hipotireoidismo, enquanto os do grupo controle estavam com a tireoide saudável”.


O próximo passo, segundo a pesquisadora, é descobrir em que momento da gestação ou da lactação esse excesso de iodo é mais prejudicial. Caroline ressaltou que mesmo conhecendo os efeitos nocivos do excesso de iodo não é possível eliminá-lo do sal e sim investir em políticas públicas para reduzir o consumo do sal pela população, evitando não só os riscos de doenças na tireoide como de doenças cardiovasculares.
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Mulheres estão tendo filhos mais tarde e gravidez na adolescência diminui

As brasileiras estão se tornando mães mais tarde e o fenômeno da gravidez na adolescência está diminuindo no país. Os dados fazem parte do Levantamento Estatísticas do Registro Civil, divulgado hoje (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o sociólogo Claudio Crespo, coordenador de População e Indicadores Sociais do instituto, o comportamento está ligado à inserção da mulher no mercado de trabalho e ao maior acesso ao estudo nos últimos anos.
“Há uma mudança que mostra um número crescente de nascimentos para mães de 25 a 29 anos. Isso aponta que a natalidade está tendo um deslocamento para essas idades mais avançadas, apesar dela ainda ser jovem, se comparado com outros países, como Itália ou Portugal”, destacou Crespo.


De acordo com o IBGE, o grupo de mães em idade mais avançada também aumenta no país. As mulheres que se tornaram mães entre 30 e 34 somavam 14,4% em 2002. Dez anos depois, em 2012, o grupo representava 19%. Em um recorte regional, os dados revelam que a gravidez tardia é ainda mais frequente no Sudeste (21,4%) e no Sul do país (20,7%).

Na outra ponta, o IBGE detectou que diminui o número de adolescentes grávidas entre 15 e 19 anos. “Isso vem se reduzindo em todo o país, mas tem ocorrido de modo mais acelerado no Sul e no Sudeste. No Norte ainda há proporções relevantes [de gestação] nesse grupo etário, em torno de 20%”, destacou o sociólogo.

O levantamento do instituto mostra que a gravidez entre os 15 e 19 anos caiu no Brasil de 20,4% do total, em 2002, para 17,7% em 2012. Atualmente, a Região Sudeste detém o menor índice (15,2%) e a Região Norte (23,2%), o maior percentual de gravidez nessa faixa etária.

Segundo Crespo, entre os fatores que influenciaram a mudança de comportamento da mulher brasileira no que diz respeito à idade em que engravidam está o maior grau de escolaridade da mulher, maiores oportunidades de emprego e queda nas taxas de fecundidade. São esses fatores sociais que impulsionam a maternidade em idades mais avançadas.

A taxa de fecundidade da brasileira, de acordo com o IBGE, caiu de seis filhos por mulher na década de 1960 para 1,9 filho, em 2010.
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Uma em cada 200 jovens diz ter engravidado sendo virgem

Uma jovem americana em cada 200 declara ter ficado grávida apesar de ainda ser virgem. Este foi o resultado de um estudo publicado recentemente no "British Medical Journal" (BMJ). De um total de 7.870 mulheres que participaram de um estudo em nível nacional de longa duração (1995-2009) e confidencial, 45 delas, ou seja, 0,5%, afirmam ter concebido sem o menor contato sexual com penetração vaginal. Nenhuma delas declarou ter recorrido a algum tipo de assistência médica para a procriação (inseminação artificial ou fecundação 'in vitro').

Quase um terço destas mulheres que afirmam ter ficado grávidas antes de sua estreia sexual fizeram voto de castidade antes do casamento (31%), algo muito comum entre os cristãos conservadores.

Os resultados se apoiam nas respostas a uma série de perguntas sobre o histórico de sua gravidez e o início de suas relações sexuais, embora as mulheres não tenham sido perguntadas diretamente se eram virgens no momento em que ficaram grávidas. Apesar de todas as precauções tomadas pelos pesquisadores, não se descarta uma possível falta de compreensão das perguntas em alguns casos, admitem os autores do estudo.

Por sua vez, "há algumas semanas tentamos verificar se este fenômeno se limita apenas às mulheres", indicou Amy Herring (docente da Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, Estados Unidos), líder deste trabalho. "Também encontramos alguns pais 'virgens', algo que é ainda mais difícil de compreender", declarou com um sorriso.

Estes resultados trazem à tona algumas questões relativas à educação sexual, mas, sobretudo, à dificuldade para obter dados precisos sobre a vida sexual dos jovens, concluiu.
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Grávidas receberão orientações sobre a importância do ácido fólico

O Conselho Federal de Medicina vai pedir aos médicos de todo país que reforcem a prescrição de ácido fólico para mulheres grávidas. A substância é uma vitamina do complexo B que evita má formação do feto, se a mãe tomar o comprimido no início da gravidez.

A importância do ácido fólico no inicio da gestação já foi comprovada no início da gestação. Ele reduz em até 75% o risco de o bebê ter má formação da coluna vertebral e também evita a anencefalia, quando a criança nasce sem cérebro.

A prescrição do complemento deve acontecer na dose certa: 400 microgramas por dia. Mas cuidado pois, uma dosagem maior pode ser prejudicial.

A vitamina está presente principalmente nos legumes e verduras verde-escuras e também em algumas frutas, como laranja e abacate. Assim, uma alimentação rica em acido fólico também ajuda na saúde do bebê. Porém, durante a gravidez, só a alimentação não basta e é preciso tomar o comprimido uma vez ao dia.
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Novo teste sanguíneo pode prever pré-eclâmpsia durante a gravidez

Novo exame de sangue pode ajudar os médicos a determinar se uma mulher vai desenvolver uma forma grave de hipertensão arterial, conhecida como pré-eclâmpsia durante a gravidez. A pré-eclâmpsia pode danificar os rins, fígado e cérebro, e levar a complicações como parto prematuro, baixo peso ao nascimento e morte fetal.

O novo teste verifica os níveis de uma proteína chamada fator de crescimento placentário (PlGF), e foi avaliado em 625 mulheres britânicas. De acordo com o estudo, 61% das participantes que desenvolveram pré-eclâmpsia tinham baixos níveis de PlGF.

Os resultados também mostraram que se os níveis de PlGF em uma mulher caem abaixo de um determinado limiar antes de sua 35 ª semana de gravidez, o bebê pode nascer num prazo de 14 dias.
"O teste foi projetado para diferenciar as mulheres com pré-eclâmpsia daquelas com pressão arterial elevada," afirmou a pesquisadora Lucy Chappell. "Os testes atuais apenas detectam a doença, nos precisamos prever que ela vai acontecer, evitando sua evolução e os consequentes danos aos órgãos."


Ao utilizar o teste para identificar mulheres com alto risco de pré-eclâmpsia, "os médicos podem monitorar melhor e tratar a pressão arterial", disse Chappell. "Esta detecção precoce também evita internações desnecessárias das pacientes que não são susceptíveis a desenvolver pré-eclâmpsia."
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Ronco durante gravidez aumenta chance de bebê nascer abaixo do peso

Às grávidas, um alerta: ronco durante a gravidez pode aumentar as chances de o bebê nascer abaixo do peso e da necessidade de fazer cesariana. A constatação é de uma pesquisa do Centro de Distúrbios do Sono, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Segundo o jornal Daily Mail, os cientistas analisaram dados de 1673 mulheres grávidas e mais de um terço delas relatou ronco habitual. As roncadoras crônicas, que apresentam o problema tanto antes quanto durante a gravidez (três vezes ou mais por semana), eram dois terços mais propensas a ter filhos com peso 10% menor que o normal e tinham duas vezes mais chances de precisar de cesariana.

O ronco é um indício da apneia obstrutiva do sono, em que as vias aéreas se tornam parcialmente bloqueadas. Isso pode reduzir os níveis de oxigênio no sangue durante a noite e está associado a graves problemas de saúde, incluindo pressão alta e ataques cardíacos.
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Médicos criticam relação de exercício na gravidez com cérebro de bebê

Um estudo feito pela Universidade de Montreal, no Canadá, e apresentado resumidamente em um congresso anual da Sociedade de Neurociência dos EUA em San Diego, aponta que praticar exercícios físicos moderados na gravidez, de 20 minutos durante três vezes por semana, pode aumentar o desenvolvimento do cérebro dos bebês. Os resultados, obtidos com 18 mulheres (10 ativas e 8 sedentárias) e seus filhos, escolhidos aleatoriamente, ainda são considerados preliminares e não foram publicados em revista científica.

A pesquisa foi amplamente repercutida por veículos de comunicação pelo mundo. No entanto, o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) do Reino Unido e médicos questionaram suas conclusões.

Para chegar aos resultados, os autores da pesquisa testaram, por meio de um eletroencefalograma (como na foto ao lado), a atividade cerebral dos recém-nascidos entre 8 e 12 dias de vida.

Aqueles cujas mães haviam se exercitado regularmente apresentaram uma maior maturidade cerebral, equivalente a crianças de 4 a 6 meses, e um aumento da atividade no lobo temporal (responsável por funções como memória, fala e linguagem), apontam os pesquisadores, liderados por Elise Labonte-LeMoyne e Dave Ellemberg. Essa vantagem inicial observada em algumas crianças poderia ter um impacto durante toda a vida, acreditam os autores. A equipe quer agora descobrir se a atividade física da mãe também pode ajudar os bebês a falar e adquirir outras habilidades mais rápido.

Após a repercussão do trabalho, o NHS publicou uma nota afirmando que os resultados divulgados são apenas um resumo e ainda não foram revisados por outros cientistas para serem publicados – por essa razão, não seria possível, neste momento, avaliar a qualidade e a confiabilidade do estudo.

O NHS também fez um alerta sobre o modo, ainda desconhecido, como as voluntárias foram escolhidas e recrutadas, pois os critérios de inclusão ou exclusão da pesquisa não ficaram claros. Isso porque as mulheres mais ativas já poderiam ser também as mais saudáveis em geral - por exemplo, terem uma dieta melhor, não fumarem e apresentarem maior nível de escolaridade.

Os cientistas responsáveis pelo trabalho disseram que os resultados já foram revisados para a conferência da Sociedade de Neurociência e serão submetidos a uma revista científica revisada por pares.

Um dos líderes do estudo, o neurocientista e professor Dave Ellemberg, disse ainda que os britânicos estão corretos ao fazer essas perguntas, e a equipe responsável pelo trabalho compartilhou da mesma preocupação.
"Usamos um protocolo de controle randomizado, em que as mulheres que aceitaram participar foram aleatoriamente designadas a fazer ou não os exercícios. Em seguida, por meio de questionários, entrevistas e internet, fomos capazes de determinar que os dois grupos eram comparáveis. Isso porque não foram encontradas diferenças estatísticas nos hábitos de exercícios pré-gravidez, nos níveis sócio-econômico e educacional, na massa corporal e no peso das voluntárias", explica.


Sobre determinadas condições médicas, tabagismo, consumo regular de álcool e outros hábitos pouco saudáveis, esses já eram critérios que faziam parte do sistema de exclusão da pesquisa, rebate Ellemberg.

Para o NHS, praticar exercícios físicos durante a gravidez é recomendado, mas isso não tornará um bebê mais ou menos inteligente, e sim ajudará a reduzir os riscos de complicações ao longo da gestação e na hora do nascimento, para favorecer um parto vaginal.

Sobre vincular essa pesquisa a um maior nível de inteligência das crianças, Ellemberg diz que essa relação não foi feita pela equipe.
"Isso seria um salto, e seria bom. Mas, por enquanto, sabemos que as áreas do cérebro que acreditamos estar envolvidas na memória de longo prazo são mais maduras. Talvez isso também seja verdadeiro para outras regiões cerebrais. Faremos um acompanhamento de um ano que poderá nos dar essa resposta. Prevejo que deve haver alguma ligação entre uma fala mais rápida e um desenvolvimento motor maior com um QI melhor", analisa o neurocientista.



Segundo o ginecologista e obstetra Marco Antonio Borges Lopes, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e autor do livro "Atividade física na gravidez e no pós parto", pela editora Roca, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito com base no estudo canadense.
"O que a gente sabe hoje é que a atividade física é certamente boa para a mãe, evita o excesso de peso, a diabetes gestacional, o aumento da pressão arterial, as dores musculares ou ósseas e alterações nos níveis de açúcar no sangue do feto, além de preparar a mulher para o parto. Benefícios futuros, porém, ainda são apenas especulações, nenhum trabalho conseguiu provar isso", destaca Lopes.


Na visão do ginecologista e obstetra Waldemir Rezende, do Hospital das Clínicas da FMUSP, só é possível avaliar a atividade do cérebro de uma criança a partir dos 3 a 5 anos de idade, quando ela começar a usar sua capacidade intelectual. De acordo com o médico, critérios subjetivos encontrados agora pelos pesquisadores podem não representar nada no futuro, pois é muito cedo para validar alguma descoberta.
"Estudar 18 casos não é um trabalho científico; seriam necessárias no mínimo 30 mulheres e segui-las, junto com seus filhos, por pelo menos 10 anos. Exercícios são bons e altamente recomendados, mas não é isso que fará um bebê virar um gênio", diz Rezende.


Segundo Ellemberg, um dos líderes do estudo, encontrar essas participantes específicas já foi um desafio. Quanto ao número considerado baixo, ele contesta que achar resultados estatisticamente significativos em uma amostra pequena indica que houve um forte efeito.
blockquote>"A única razão pela qual os trabalhos científicos têm uma grande quantidade de voluntários é para reduzir a variância, o ruído estatístico. Portanto, isso torna nossa descoberta ainda mais impressionante", aponta.

Ainda de acordo com Ellemberg, acompanhar essas mulheres a longo prazo é realmente necessário para saber como a descoberta evolui, apontar tendências e possibilidades. Mas a equipe não está pensando nisso agora.

Em relação aos exames de imagem feitos em bebês tão pequenos, o pesquisador diz que a escolha do teste em recém-nascidos é um dos principais pontos fortes do protocolo usado, "porque podemos comparar os dois grupos de crianças antes que eles sejam expostos a fatores externos de maturação do cérebro, sobre os quais temos pouco controle".
"Podemos apenas especular como serão esses resultados mais adiante, mas as chances de que esses bebês tenham uma forte vantagem inicial é grande", acredita Ellemberg.


Apesar de contestarem os resultados da pesquisa canadense, os obstetras ouvidos pelo G1 recomendam atividades regulares para as gestantes, sempre com supervisão de um médico e um preparador físico – principalmente se for uma gravidez de risco ou a mulher for sedentária.

Segundo o ginecologista e obstetra Paulo Margarido, professor da FMUSP e chefe da divisão de ginecologia do Hospital Universitário da USP, exercitar-se durante a gestação traz benefícios cardiorrespiratórios, fortalecimento muscular e ainda pode evitar riscos de aborto ou nascimento prematuro.
"Estimular a mulher a se manter ativa desde o início da gravidez também se traduz em fetos mais saudáveis e menos sujeitos a problemas de crescimento", afirma Margarido.


O obstetra Waldemir Rezende acrescenta que o ideal é que as mães escolham opções lúdicas, prazerosas, que ajudem a alongar o corpo, respirar melhor, e não provoquem desconforto. As praticantes também não devem intensificar o ritmo dos exercícios nesse período, mas manter o que já vinham fazendo antes ou até desacelerar um pouco. Além disso, é importante se manter alimentada a cada 3 horas e se hidratar bem.
"A hidroginástica é a melhor alternativa, pois tem temperatura controlada, baixo impacto, não há pressão sobre a coluna vertebral nem risco de torções. A natação também é indicada, mas em um ritmo mais leve", recomenda Rezende.


O médico explica que a atividade física ainda aumenta as taxas de cortisol (hormônio do estresse) no sangue, o que pode ajudar a acelerar a maturidade do pulmão e do sistema nervoso central do feto. Em excesso, porém, esse hormônio favorece o ganho de peso e a retenção de líquidos para a mãe, e o aumento nos níveis de insulina para ela e o filho.
"É importante também que a mulher não aumente sua temperatura corporal acima dos 39° C durante os exercícios, pois isso pode causar malformações no tubo neural do embrião, como espinha bífida (a coluna não se fecha). Essa é uma temperatura crítica, mesmo que por pouco tempo, como 10 a 15 minutos", explica Rezende. Estimular a mulher a se manter ativa desde o início da gravidez também se traduz em fetos mais saudáveis e menos sujeitos a problemas de crescimento"


Além disso, durante a gravidez, as mulheres têm maior risco de hipoglicemia (queda nos níveis de açúcar no sangue) e de torções ou contusões, porque as articulações ficam mais úmidas e moles, como forma de preparação para o parto.
"Exercícios mais intensos como musculação podem aumentar a pressão no músculo abdominal e desencadear um parto prematuro. Halterofilismo é totalmente proibido, porque ainda força a coluna e pode gerar uma hérnia de disco", ressalta Rezende.


De acordo com o obstetra, a melhor medida para saber se um exercício está exagerado é ver no dia seguinte se existe dor muscular ou cãibra, sinal de que houve produção de ácido lático nos músculos.
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Estudo recomenda evitar aspirina na gravidez

Mulheres grávidas ou com planos de ter um bebê devem evitar tomar alguns analgésicos, como a aspirina, alertaram médicos após um novo estudo. A pesquisa, cujos resultados foram publicados no British Medical Journal, diz que alguns analgésicos aumentam as chances de as mulheres terem um aborto natural.

O risco é provocado sobretudo por drogas antiinflamatórias não-esteróides como o ibuprofeno e a aspirina. O estudo, entretanto, confirma que não há problemas ao se tomar paracetamol durante a gravidez. Os resultados do levantamento feito com 1.055 mulheres grávidas na Califórnia, Estados Unidos, confirmam o que atestava um estudo semelhante publicado, em 2001, na Dinamarca.

A pesquisa mostra que as mulheres que tomaram esses analgésicos tiveram um aumento de 80% nas chances de perder o bebê. Os médicos, porém, disseram que essa estatística pode não ser totalmente confiável devido ao pequeno número de entrevistadas que contaram ter tomado aspirinas.

Há algum tempo as mulheres grávidas já têm sido aconselhadas a evitar esse tipo de analgésicos. O estudo não especificou a dosagem tomada pelas mulheres que tiveram abortos. Aquelas que tomam aspirinas nos estágios iniciais da gravidez teriam cinco vezes mais chances de enfrentar complicações que aquelas que tomam o medicamento mais tarde.

Segundo os pesquisadores, das mulheres que participaram do experimento norte-americano, as que se expuseram ao maior risco foram aquelas que tomaram os analgésicos por período superior a uma semana.

Diferentemente dos analgésicos citados como perigosos, o paracetamol não traria problemas para a gravidez porque atua apenas sobre o sistema nervoso central. As aspirinas e outras drogas antiinflamatórias não-esteróides fazem efeito sobre o corpo inteiro. Os pesquisadores do Kaiser Foundation Research Institute dizem que precisam fazer mais análises para confirmar as suas conclusões.
Mas, no artigo no British Medical Journal, escreveram: "Seria prudente aos médicos e às mulheres que planejam engravidar que saibam desse potenial risco e evitem usar drogas antiinflamatórias não-esteróides". Melanie Davies, médica do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, na Grã-Bretanha, diz não haver razões para as grávidas ficarem alarmadas. "É importante notar que este é um estudo muito pequeno e os seus autores enfatizam que precisam confirmar os resultados com novas pesquisas", destacou Davies. "Qualquer mulher que tiver preocupações com relação às descobertas deste estudo deve discutir o assunto com seu médico na próxima consulta."
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Quase 12% dos partos feitos no Brasil são prematuros

Estudo aponta que 11,7% dos partos feitos no Brasil são prematuros, ou seja, ocorrem antes de a gestação completar 37 semanas. Segundo o levantamento, coordenado pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, feito com a participação de 12 universidades, entre as gestantes menores de 15 anos, o índice de partos prematuros é 10,8%. Entre as mães na faixa dos 20 aos 34 anos, 6,7% dos partos são prematuros.

O estudo Prematuridade e Suas Possíveis Causas, referente a 2010, também mostra que as regiões Sul e Sudeste são as que têm os maiores percentuais de prematuridade, 12% e 12,5%, respectivamente. No Centro-Oeste, o índice é 11,5%; no Nordeste, 10,9%; e no Norte, 10,8%.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2010, nasceram 15 milhões de crianças prematuras em todo o mundo. O Brasil está na décima posição entre os países onde mais nascem prematuros. A pesquisa também aponta que enquanto a taxa de mortalidade infantil está diminuindo, há um crescimento de desse tipo de ocorrência.

De acordo com o estudo, as mulheres indígenas apresentam o maior percentual de partos prematuros, 8,1%. Entre as brancas, o índice é 7,8%; entre as negras, 7,7%; entre as pardas, 7,1%; e entre as de pele amarela, 6,3%.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indica a relação entre o aumento da prematuridade e a realização de cesarianas. As mais altas taxas de cesarianas verificam-se nas regiões mais desenvolvidas (Sudeste, Sul e Centro-Oeste), enquanto as mais baixas estão nas regiões Norte e Nordeste. A entidade, porém, ressalta que é preciso um estudo mais aprofundado para ter certeza dessa relação.

O Brasil apresenta as mais altas taxas de cesarianas no mundo, segundo o Unicef. A entidade destaca que a incidência aumentou de 37,8% do total de partos, em 2000, para 52,3%, em 2010. A OMS recomenda que a taxa não ultrapasse os 15%, e alerta que o excesso de cesarianas aumenta a mortalidade de mães e de crianças. De acordo com o levantamento, que teve o apoio do Unicef e do Ministério da Saúde, a prematuridade é a principal causa de morte de crianças no primeiro mês de vida. No Brasil, a taxa de mortalidade de crianças abaixo de 1 ano é 16 para cada mil nascidos vivos, segundo a Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa).

O estudo também mostrou que no Brasil aproximadamente 8% dos bebês nascem com baixo peso, ou seja, com menos de 2,5 quilos. As mulheres negras respondem pelo maior percentual de nascimentos de crianças abaixo do peso, 9,4%, seguida pelas brancas, com 8,3%, e as pardas, com 8,2%. Entre as de pele amarela e as indígenas, os índices são 7,6% e 7,7%, respectivamente.
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Primeira gravidez na América Latina após transplante de tecido ovárico

Queria contar aqui o caso da Rita, de 36 anos, e do Fernando, que esperam para fevereiro a chegada de seu primeiro filho, depois que ela se tornou a primeira mulher na América Latina a ficar grávida graças a um transplante de tecido ovárico após superar um agressivo câncer.

O médico Fabián Lorenzo considera este o segundo milagre na vida de Rita. O primeiro foi se recuperar de um câncer altamente mortal. O câncer de Askin foi diagnosticado em Rita em 2005, quando ela tinha 28 anos. Para superar esse câncer, que afeta o tórax, Rita precisou se submeter a um tratamento com quimioterapia que podia causar menopausa precoce, explicou o especialista em medicina reprodutiva.

Ela então optou pela extração mediante laparoscopia e congelamento ultrarrápido e a criopreservação de minúsculos fragmentos de tecido de seus dois ovários no Instituto de Ginecologia e Fertilidade (IFER). A equipe médica descartou congelar óvulos em vez do tecido ovárico pela falta de tempo, indicou Lorenzo. Tinha dois dias (para começar a quimioterapia). Para os óvulos necessitamos de um prazo que varia entre 10 e 12 dias.

Dois anos após vencer o câncer, a paciente foi autorizada a tentar um transplante ovárico que permitisse engravidar. A primeira tentativa, iniciado em 2009 através da técnica de fecundação in vitro, falhou. Em março, o casal fez uma nova tentativa, em que foi realizada uma inseminação intrauterina bem sucedida, e que hoje está na 22ª semana.

Orgulhoso, o diretor científico do IFER, Ramiro Quintana, disse que "trata-se do primeiro caso na América Latina e o 25º no mundo todo". A técnica abre uma porta importantíssima a todas as pacientes jovens que diagnosticadas com câncer.

A criopreservação de mostras de sêmen, embriões, tecido ovárico ou óvulos na Argentina custa ao redor de 10.000 pesos (R$ 3.800) mais uma mensalidade entre 120 e 150 pesos mensais (R$ 45 e 55) até seu uso. A reimplantação de tecido ovárico permite as mulheres recuperarem sua menstruação e terem a chance de engravidar em qualquer idade, possibilidade contemplada na lei argentina de reprodução assistida.
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Fumar durante a gravidez pode causar problemas emocionais no bebê

Fumar durante a gravidez, independentemente do número de cigarros por dia, altera de forma negativa o desenvolvimento cerebral do bebê, o que pode levar a uma série de problemas comportamentais e emocionais ao longo da infância, como depressão e ansiedade. Essa foi a conclusão de um estudo realizado na Holanda e publicado nesta segunda-feira no periódico Neuropsychopharmacology.

No artigo, os pesquisadores explicam que o cigarro provoca estreitamento das veias da gestante que são responsáveis por levar nutrientes e oxigênio ao feto. Com isso, o bebê acaba recebendo uma quantidade de nutrientes e oxigênio menor do que o necessário para um desenvolvimento considerado normal, o que acaba comprometendo algumas áreas do cérebro.

Para avaliar os efeitos da exposição pré-natal ao tabaco, os cientistas reuniram um grupo de 113 crianças com idades entre seis e oito anos. As mães de 17 dessas crianças haviam deixado de fumar quando souberam que estavam grávidas, mas o restante manteve o hábito ao longo da gestação.

As crianças foram submetidas a exames de ressonância magnética e tiveram seus comportamentos analisados. De acordo com os resultados, as crianças cujas mães fumaram durante a gravidez, em comparação com as outras, apresentavam, em geral, um menor volume de massa cinzenta e branca no cérebro. A massa cinzenta é a parte do cérebro que possui o corpo das células nervosas e inclui regiões envolvidas no controle muscular, memória, emoções, fala e percepção sensorial, tais como ver e ouvir. Já na massa branca, há fibras que conectam regiões envolvidas no processamento das emoções, atenção, tomada de decisão e controle cognitivo.

A pesquisa ainda mostrou que essas crianças também apresentavam mais problemas emocionais, como depressão e ansiedade, do que aquelas cujas mães abandonaram o cigarro na gravidez. Na opinião dos pesquisadores, esse trabalho é mais um a reforçar a importância do fim do tabagismo durante a gravidez como forma de prevenir problemas do neurodesenvolvimento no bebê.

Vejam abaixo a opinião da especialista Rosangela Garbers, que é Pediatra e membro do Conselho Científico do Departamento de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP):
"Pela prática médica, nós já sabemos que fumar prejudica o bebê. Os filhos de mulheres que fumaram enquanto estavam grávidas geralmente nascem de 700 gramas a um quilo mais leves do que os outros. Isso é muito ruim, pois é uma diferença grande para um recém-nascido. E trata-se da perda de volume no cérebro. O que não sabemos ainda, e o que essa pesquisa ajuda a mostrar, são os efeitos a longo prazo dessa perda de volume, qual o impacto no comportamento dessas crianças. Vale lembrar também que o filho de uma fumante passiva está sujeito aos mesmos efeitos que o filho de uma fumante ativa: se a grávida não fuma, mas convive no mesmo ambiente que um fumante, e inala fumaça, as consequências para o bebê serão as mesmas. Por isso, a grávida precisa tomar muito cuidado."
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Grávidas que bebem um copo diário de leite têm filhos mais altos

Uma nova pesquisa mostra que filhos de mulheres que beberam bastante leite durante a gravidez são mais propensos a serem altos quando atingem a adolescência. Pelo menos foi o que concluiu a equipe de cientistas responsável pelo estudo, que descobriu que a altura que os bebês nascidos no final dos anos 1980 alcançaram durante a adolescência estava diretamente relacionada com a quantidade de leite que suas mães consumiram quando eles estavam no útero.

Embora cientistas acreditem já há tempos que a ingestão de leite por parte da mãe promova o crescimento em recém-nascidos, a mais recente pesquisa sugere que esses benefícios duram até o início da idade adulta.

Especialistas em nutrição dos países envolvidos na pesquisa como: Estados Unidos, Islândia e Dinamarca, queriam verificar se os benefícios do leite observados nos primeiros estágios de vida se estendiam aos anos posteriores.

Os pesquisadores observaram filhos de 809 mulheres na Dinamarca, entre 1988 e 1989 , depois de monitorar a quantidade de leite que as mães tinham consumido durante a gravidez. Os bebês tiveram seus pesos e altura medidos no nascimento, e novamente quase 20 anos depois.

Os resultados, publicados na revista científica European Journal of Clinical Nutrition, apontam que adolescentes de ambos os sexos geralmente ficaram mais altos se suas mães tivessem bebido mais de 150 ml de leite por dia durante a gravidez, em comparação com filhos de mulheres que bebiam menos do que essa quantidade.

Ao final da adolescência, eles também apresentavam níveis mais elevados de insulina na corrente sanguínea, o que sugere um risco menor de sofrer de diabetes tipo II.

Em um relatório sobre as principais conclusões do estudo, os pesquisadores consideraram que o consumo de leite materno pode ter um efeito de promoção do crescimento em relação ao peso e à altura ao nascer. Os resultados também fornecem pistas de que este efeito pode até mesmo acompanhar os filhos até a idade adulta.

No início deste ano, cientistas britânicos descobriram que mulheres grávidas podem aumentar o QI de seus bebês bebendo mais leite, uma vez que o alimento é rico em iodo.

Eles analisaram mais de mil grávidas e descobriram que aquelas que consumiam menor quantidade de iodo, que também é encontrado em outros produtos lácteos e em peixes, eram mais propensas a terem filhos com índices de QI mais baixos e piores habilidades de leitura.

O iodo é essencial para a produção de hormônios pela glândula da tireoide, o que tem um efeito direto sobre o desenvolvimento do cérebro do feto.
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Redução de estômago pode aumentar chance de gravidez

Uma das maneiras de combater a obesidade e acelerar o processo de emagrecimento é a cirurgia bariátrica. Também conhecida como redução de estômago, a operação ainda gera desconfiança nas mulheres que pretendem engravidar.

Se você é uma delas, não há motivos para desespero. Com os cuidados necessários, a gravidez pode até ser mais saudável depois da cirurgia. É o que vive Solange Almeida, vocalista da banda Aviões do Forró. A cantora curte agora todas as emoções da gestação, cinco anos depois de ter o estômago reduzido.

A primeira dúvida das futuras mamães é saber quanto tempo após a operação é permitido engravidar. Essa questão não tem uma resposta única e depende da evolução do caso. O ideal é aguardar até que a paciente consiga manter o peso esperado. É preciso seguir a recomendação do médico que fez a cirurgia bariátrica. Eles geralmente pedem um ano.

Quem engravidar antes do período proposto pode comprometer a eficiência da cirurgia. Em alguns casos, corre o risco até de perder os benefícios da operação. Existe uma meta a ser alcançada, o que leva tempo. Não é porque reduziu o estômago que isso vai ser resolvido obrigatoriamente. Sendo que o recomendado é que o médico autorize a gravidez e acompanhe também o pré-natal.

Outro aspecto que precisa de atenção é a nutrição. Após a cirurgia, é normal que as mulheres sofram alterações no consumo de alimentos. Elas têm uma absorção reduzida, já que um pedaço do estomago foi retirado. O ideal é fazer um acompanhamento para conferir se todos os nutrientes necessários estão sendo oferecidos corretamente ao bebê. Na maioria das vezes, são indicados complementos vitamínicos.

Se você está em dúvida entre engravidar ou fazer a redução de estômago primeiro, saiba que apostar na cirurgia antes pode até deixar a gestação mais saudável. Com o peso excessivo, há um risco muito maior de morbidade obstétrica. Há também uma chance maior de pressão alta e diabetes.

Outro benefício da cirurgia é que a chance de engravidar aumenta após a perda de peso, segundo a médica. A gordura acumula um hormônio derivado do estrogênio. O excesso desse hormônio acaba dificultando a ovulação da paciente.

Com esses cuidados em dia, a cirurgia bariátrica não interfere na gravidez. Depois do período recomendado, você pode começar uma nova fase da vida, com a autoestima em alta e uma gestação saudável.
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Fumo na gravidez e os efeitos a longo prazo nos filhos

São bem conhecidos os efeitos nocivos produzidos pelo fumo durante a gravidez. A exposição à nicotina no período pré-natal altera o desenvolvimento cerebral, induz parto prematuro, produz bebês de baixo peso e, muitas vezes, pode levar à perda do feto. Os bebês que foram expostos à nicotina na vida intrauterina apresentam, também, uma maior probabilidade de serem viciados em cigarro quando ficam adultos.

Para tentar esclarecer os mecanismos pelos quais a exposição do feto à nicotina produz alterações de longo prazo, um grupo de pesquisadores de Nova York desenvolveu um estudo em que foram administradas pequenas doses de nicotina a ratas prenhas, o correspondente a uma mulher grávida fumar um cigarro por dia. Os resultados foram publicados na edição de 21 de agosto da revista científica The Journal of Neuroscience.

Os cérebros dos filhotes foram analisados e constatou-se um aumento do número de células nervosas em determinadas regiões do cérebro. Estas células são responsáveis pela produção de substâncias conhecidas como orexigenas (aumentam o apetite). Estes filhotes, quando adolescentes, apresentam uma alteração de comportamento caracterizada por um aumento de consumo de substâncias que produzem a sensação de recompensa.

A avaliação foi feita pela oferta aos adolescentes de soluções de nicotina, de álcool e de alimentos ricos em gordura, além da água pura e da ração normal. Os ratos que foram expostos à nicotina na gravidez da mãe apresentaram um consumo aumentado dos três componentes (nicotina, álcool e gordura), quando comparados aos animais em que a mãe não recebeu nicotina. Curioso que não houve aumento de consumo de água ou ração padrão, indicando que o efeito é especifico sobre substâncias que produzem sensação de recompensa e levam à adição.

Os resultados deste estudo demonstram que a exposição pré-natal a baixas doses de nicotina produz efeitos tardios na prole que levam a comportamentos que podem levar a adição a drogas e obesidade.

Para as futuras mães esta é mais uma forte evidência para não fumar (ou se expor à nicotina com substitutos do cigarro), pois, além de por em risco a sua gravidez, de comprometer o bebê, poderá estar definindo, talvez de forma irreversível, o futuro adulto de seu filho.
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Vitamina E na gravidez pode prevenir hipertensão nos filhos

Uma pesquisa feita com ratos como cobaias sugere que a administração em grávidas desnutridas de um tipo ativo de vitamina E, o alfa-tocoferol, durante o período perinatal (gestação ou o período que vai da fertilização até o nascimento) pode ajudar a prevenir o surgimento de hipertensão nos filhos quando adultos.

As informações foram apresentadas nesta quinta-feira (22) pela professora de bioquímica e fisiologia Ana Durce Oliveira da Paixão, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), durante a reunião anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), em Caxambu, Minas Gerais.

O efeito ocorre porque a vitamina E tem propriedades antioxidantes que ajudam a prevenir a formação de radicais livres na gravidez, afirma a professora. "O tocoferol age principalmente prevenindo o estresse oxidativo. No entanto, há ações genômicas [da vitamina] das quais ainda pouco se sabe", ponderou. saiba mais

Na pesquisa, fêmeas grávidas de ratos foram submetidas à desnutrição. Nessa situação, elas tiveram "estresse oxidativo", ou seja, formação de radicais livres. No período de gravidez, estas moléculas mudaram a expressão de alguns trechos do DNA do feto, prejudicando seu funcionamento. "Afeta a vida inteira do filhote, [a expressão] do gene fica modificada", disse Ana Durce.

Ela afirma que, nos testes com ratos, a administração da vitamina em fêmeas grávidas e desnutridas foi satisfatória em prevenir que os filhotes tivessem hipertensão. No entanto, efeitos colaterais podem surgir e ainda demandam outras pesquisas para serem conhecidos.

"O tocoferol, quando administrado em uma mãe com dieta normal, ele próprio causou hipertensão. Ainda não entendemos por que isso acontece, precisamos ainda estudar a razão disso", ponderou. Sobrecargas e doses elevadas da substância podem causar problemas, afirma a cientista.

"O conceito principal é que prevenir o estresse oxidativo, isto é, os radicais livres, pode prevenir sequelas da desnutrição materna", ressalta Ana Durce. Ela diz ainda que é preciso pesquisar mais sobre quais genes estão tendo sua expressão alterada pelos radicais livres nos fetos.

A pesquisa é um passo para saber como os radicais livres influenciam no aparecimento da hipertensão, diz a cientista. "Se a desnutrição 'programa' a hipertensão, é possível a 'reprogramação'", para evitar o distúrbio, na avaliação de Ana Durce.

"A desnutrição causa estresse [oxidativo]. A mãe já tem uma placenta com estresse aumentado, o feto está com estresse oxidativo aumentado e os genes fetais estariam afetados", avalia. Uma das hipóteses é que os radicais livres tenham consequências principalmente no sistema renina-angiotensina, que atua no controle da pressão arterial, pondera a pesquisadora.

Ela afirma ser muito cedo para falar em alfa-tocoferol como tratamento terapêutico em mulheres. Por enquanto os dados foram colhidos em pesquisas com ratos, e são necessários mais testes para saber se a substância pode no futuro ser eficiente com mulheres grávidas.

Em populações humanas, quadros de hipertensão em adultos que tiveram mães desnutridas foram identificados em várias regiões e épocas, afirma a professora da UFPE. Ela relata terem surgido populações na Holanda com hipertensão e função renal comprometida após a Segunda Guerra Mundial, por conta da desnutrição das mães na gravidez. Casos foram identificados entre aborígenes australianos, indígenas americanos e famílias europeias no pós-guerra, pondera.
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Praticar natação durante gravidez pode causar alergias no bebê

Os benefícios das atividades físicas a todos, inclusive às gestantes, são bastante divulgados pelos médicos. Mas uma pesquisa realizada na Inglaterra e publicada no British Journal of Dermatology mostrou que praticar natação pode provocar alergias no bebê após o parto.

Cientistas do Instituto de Dermatologia St. John e da Universidade de Manchester disseram que substâncias químicas comuns usadas nas piscinas, como o cloro, além de outros usados para limpeza, são responsáveis pelo crescimento das alergias nos últimos 50 anos. Nesse período, o número de casos cresceu mais de cinco vezes. A exposição aos produtos afetaria o sistema imunológico do bebê ainda no útero materno, deixando-os mais suscetíveis a problemas como eczema e asma. Outra hipótese para o aumento de casos como esses seria o estilo de vida longe da sujeira ou do ambiente natural, o que deixaria o corpo mais propenso a irritações.​

Apesar do alerta, os médicos mantiveram a recomendação de que grávidas devem manter rotina de exercícios. "Ainda estamos investigando as reais causas do aumento nos casos de alergias. Por enquanto, não provamos nada, é uma hipótese, mas sabemos que usamos muito mais substâncias químicas do que há 50 anos, seja nos itens de higiene pessoal ou nos alimentos processados", disse o médico John McFadden, do Instituto de Dermatologia St. John.
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